Estratégias

Segmento de baixa renda provoca boom da construção civil

Yorki Oswaldo Estefan, da Cytec+

Yorki Oswaldo Estefan, da Cytec+

A Cytec +, braço da Cyrela criado para atender as classes C e D, deve investir R$ 700 milhões ainda em 2008 em imóveis para o segmento. E o bom momento desse mercado deve perdurar pelos próximos 20 anos.

Para atender a demanda de habitações de baixa renda, a Cyrela – empresa do mercado imobiliário brasileiro na incorporação de empreendimentos residenciais – e a Tecnum – primeira construtura brasileira a obter certificação do Sistema Integrado de Gestão, reconhecida por promover a construção sustentável e novas tecnologias – lançaram a Cytec+, incorporadora e construtora que tem como projeção investir R$ 700 milhões somente este ano em negócios para o segmento de baixa renda.

A empresa, especializada em empreendimentos residenciais econômicos (de até 65m²), e supereconômicos, (de até 55m²), com valor de venda entre 60 mil e 120 mil reais, nasceu da grande procura por imóveis pelas classes C e D, beneficiadas pela boa fase da economia nacional. Para se ter idéia da demanda desse público, de acordo com uma pesquisa divulgada em maio pelo IBOPE, 47% dos brasileiros que estão na classe C tinham como principal objetivo adquirir a casa própria nos 12 meses seguintes à entrevista.

Segundo Yorki Oswaldo Estefan, diretor de engenharia da Cytec+, o boom da construção civil para o segmento de baixa renda deve permanecer aquecido por pelo menos 20 anos, já que o déficit habitacional é muito grande – oito milhões de moradias, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. “Hoje, a gente tem condição de atingir três milhões desse montante; para o restante, ainda é preciso políticas públicas que garantam a condição de adquirir um imóvel”, diz Estefan.

Na hora da compra, para 44% do grupo o preço é o critério mais importante, seguido pelas condições de pagamento, para 27%, e localização, maior preocupação de 18% dos compradores. Para Estefan, o consumidor de baixa renda se preocupa também com o valor da parcela, para saber se terá condições de pagá-la. “Para se ter idéia, nosso principal concorrente é o celular, já que as classes C1 e C2 são as que mais gastam e trocam de modelos”, declara Ana Pessoa, gerente de marketing da Cytec+.

“Pela primeira vez no mercado as empresas grandes estão voltadas para o segmento de baixa renda”, afirma Estefan. Para ele, esse filão de mercado será disputado pelas construtoras maiores, que vão comprar terrenos grandes para construírem seus empreendimentos, já que um conjunto maior de habitações barateia o custo do condomínio.

Ele explica que encontrar terrenos grandes e conseguir a liberação do terreno pelos órgãos públicos, procedimento que tem uma demora acentuada, são os principais entraves para o setor da construção crescer. Por isso, além da capital paulista, a construtora vai concentrar seus negócios no ABC, na grande São Paulo, e no interior.

A Cytec+ iniciou suas atividades com um empreendimento de 647 unidades no bairro de Vila Matilde. Hoje, tem 4.715 unidades lançadas na capital, em Ribeirão Preto e Belford Roxo (RJ), e aproximadamente 2.500 que serão vendidas até o fim deste ano na capital, em São José do Rio Preto, em Jundiaí, no Rio de Janeiro e em Caxias (RJ).

O último lançamento da construtora, na Vila Prudente, moradia que se enquadra no padrão HSI – para famílias que ganham até seis salários mínimos – teve 20% de suas unidades vendidas pela internet, mesmo se tratanto de baixa renda, o que comprova o desenvolvimento desse nicho de mercado. Do total de compradores, 80% é de família jovem, de até 26 anos, que estão saindo pela primeira vez da casa dos pais.

A meta da empresa para 2009 é aumentar em 50% o número de empreendimentos. A renda familiar dos consumidores da construtora gira em torno de R$ 2.500. Os apartamentos custam, em média, R$ 100.000, sendo que as parcelas iniciais são de R$ 277.

Desenvolvimento e Pesquisa
A Cytec+ criou um departamento de Desenvolvimento e Pesquisa que estuda sistemas construtivos alternativos e visa tornar a construção civil mais competitiva, eficiente, e com maior qualidade para os brasileiros que passaram a ter acesso ao mercado habitacional.

O departamento, formado por uma equipe de profissionais da própria Cytec+, analisa todos os sistemas, subsistemas e componentes que fazem parte da construção, com estudos comparativos que permitam encontrar as melhores opções para a construtora.

Claudia von Maschell, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Cytec+, explica que não é comum ver um setor de pesquisas desse tipo em uma construtora, mas que a área é muito importante para o setor. “Na construção de baixa renda temos uma margem de lucro mais estreita, por isso é preciso ter garantia nos produtos que vamos utilizar. Não há margem para erros”, afirma Cláudia.

Além deste departamento, a Cytec+ tem ainda três frentes de pesquisas: pesquisa de stand, pesquisa de produto e pesquisa de mercado, todas elas coordenadas pelo departamento de marketing da empresa.

A pesquisa de stand é feita todas as semanas pela empresa, que recolhe em seus postos de venda informações importantes como onde o cliente mora, quanto pretende gastar, o que achou do apartamento, em que região procura imóveis, e em que mídia soube do empreendimento. As informações são colhidas por uma equipe formada pela Cytec+, e a expertise da análise de dados é feita pelo instituto Data Popular.

Para se diferenciar dos concorrentes, a Cytec+ firmou parcerias com empresas como Whirlpool, holding das marcas Brastemp e Consul, Telefônica e Florense. Com as parcerias, a construtora oferece aos clientes kits de eletrodomésticos, armários com preços especiais, além de apartamentos ‘plug and play’ e rede wireless na lan house dos condomínios. Todas as vantagens são oferecidas depois de realizada a pesquisa de produtos, que leva a idéia a campo para conhecer a recepção dos consumidores.

Já a pesquisa de mercado procura conhecer novos mercados, o perfil dos consumidores e também que tipo de empreendimento desejam os clientes. As pesquisas de produto e mercado também são realizadas pelo setor de marketing da construtora e analisadas por institutos de pesquisa.

Tatiana Abbud, analista de pesquisa da Cytec+, conta que está nos planos da empresa, embora ainda sem previsão de data, implementar um sistema de Business Intelligence, seguindo os passos da Cyrela, que já se beneficia do BI em seus negócios há mais de 15 anos.

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