Aumento do faturamento do setor foi impulsionado por microfranquias, bancos de investimento e acesso à linhas de crédito.
O segmento de franquias do Brasil encerrou 2010 com crescimento de 20,4% em relação ao ano anterior. Número maior que o esperado pelo setor, que oscilava entre 14% e 19%. O estudo foi realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) com 1.855 marcas de franquias atuantes no país.
O faturamento das franquias alcançou R$ 75,9 bilhões, o número de redes em operação cresceu 12,9% e o número de unidades (franqueadas e próprias) chegou a 86 mil, incremento de 8% em relação ao ano anterior. A expansão permitiu a abertura de 57 mil novos postos de trabalho. O setor é responsável hoje por quase 800 mil empregos diretos.
A ABF prevê que a tendência de crescimento continuará em 2011, com crescimento de 15%. “Continuamos crescendo na casa dos dois dígitos ao ano. O aumento no número de redes e a expansão das marcas já existentes demonstram o grande potencial do setor”, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF.
Para Camargo, o bom desempenho deve-se ao bom desempenho da economia brasileira, pela oferta de crédito e o aumento do poder de compra da população. “O surgimento das microfranquias é o reflexo dessa nova realidade do mercado”, diz. Microfranquias são aquelas cujo investimento inicial não passa de R$ 50 mil.
Outro grande motivador do crescimento do franchising foi o ingresso dos bancos de investimento. “Depois do momento de consolidação, o capital injetado nas franquias foi utilizado, principalmente, para impulsionar a expansão das redes”, explica o diretor.
Apenas em 2010 surgiram 212 novas redes de franquia no mercado. Por trás desse número estão indústrias, que cada vez mais buscam operações de varejo, times de futebol e inovações. No entanto, o número de unidades cresceu 8%, menos do que o previsto. Na avaliação da ABF, a consolidação de alguns setores e o alto custo imobiliário influenciaram esse número. “Os grandes centros e principalmente as localidades sede dos eventos esportivos programados para o Brasil apresentaram aumento significativo no custo dos imóveis e das locações, o que inibe a abertura de novos pontos comerciais”, explica Camargo.
A expansão internacional continua em alta. Atualmente, existem 68 redes brasileiras atuando no exterior. Elas estão presentes em 49 países, em todos os continentes, o que representa 4% do total das marcas nacionais.

