Setores como o de Tecnologia e de Energia ainda estão bem cotados aos olhos dos investidores.
Apesar da cautela e da retração geral nas atividades globais de fusões e aquisições, provocadas pela incerteza e a volatilidade do mercado financeiro, cada setor da economia apresentou um desempenho diversificado, registrando altos e baixos, na 1ª Edição do Relatório Global de Avaliação de M&A (Merger and Aquisition) da American Appraisal – empresa especializada em opinião de valor e avaliação de ativos e negócios.
O setor de Tecnologia, Mídia e Telecom foi o que mais registrou aumento de transações, de acordo com o relatório da consultoria, realizado em parceria com a Mergermarket a partir de pesquisas e análises de mais de 25 mil dados coletados em transações registradas em 28 países.
O estudo também mostra o panorama geral de setores como Energia, Mineração e Utilidades; Indústria e Área Química; Consumo; Tecnologia, Mídia e Telecom; Serviços Financeiros; e o setor Farmacêutico, Médico e Biotecnológico.
– Tecnologia, Mídia e Telecom (TMT): a consultoria viu esse setor ofuscar os demais, devido às inovações tecnológicas em curso e o crescimento de certos segmentos, como mídias sociais. O Facebook e o Skype são dois exemplos de empresas cuja valorização causou alvoroço no mercado. Estes fatores propiciaram um ambiente de competição feroz entre os compradores na corrida para adquirir um ativo com grande potencial de retorno.
Os últimos meses presenciaram também quantias altas sendo pagas por ativos que ainda não geraram um único dólar de receita. É o caso do Instagram, que, com zero de receita, foi comprado pelo Facebook por US$ 1 bilhão. O estudo revela que temores de outra bolha de tecnologia são comuns perante ações deste tipo, já que os compradores têm aprendido duras lições do passado e estão cada vez mais minuciosos na compra de ativos de tecnologia. No entanto, estas ações não os impedem de fazerem apostas elevadas em ativos com alta projeção de lucro.
Dados do relatório mostram que a média dos múltiplos de EBITDA em TMT quase dobrou em 2011 na comparação com 2010. Isto se deve em parte às projeções elevadas de crescimento de receita, que tem média de 48%.
– Energia, Mineração e Utilidades: o setor resistiu bem à queda nos preços das commodities, registrando aumento de múltiplos de EBITDA em 2011. Isto se deve parcialmente a investimentos estratégicos feitos por empresas no crescente mercado de óleo e gás na América do Norte.
A média da taxa interna de retorno de 14% sinaliza que os compradores ainda esperam retornos atrativos para este setor no futuro. De acordo com o estudo, é um sinal positivo que esta taxa esteja mantida em uma posição firme, até mais do que as avaliações dos ativos, que podem ter sido inflacionados por um apetite crescente por recursos naturais em mercados emergentes.
No primeiro semestre de 2012, o estudo verificou o impacto da volatilidade dos preços das commodities no setor, o que sinaliza uma expectativa de queda das valorizações médias do setor em médio prazo.
Compradores têm se queixado da lentidão de alguns mercados, particularmente na Rússia. Enquanto isso, no Oriente Médio, o medo de uma possível interrupção no fornecimento de produtos, como os barris de petróleo, continua mais vivo do que nunca. Estes fatores, de acordo com o estudo, serão determinantes para medição das valorizações dos ativos deste setor no futuro.
– Farmacêutico, Médico e Biotecnológico: o setor registrou um aumento de mais de 20% na média dos múltiplos de EBITDA em relação ao ano anterior. Por outro lado, teve a maior queda de taxa interna de retorno: de 20,8% em 2010 para 12,3% em 2011. Enquanto este dado fornece apenas uma pista do que se passa neste mercado, ele vem de encontro às expectativas gerais de taxas reduzidas de retorno esperadas pelas empresas farmacêuticas, uma vez que remédios de sucesso são cada vez mais escassos. Este declínio diz algo sobre a ampla divergência de avaliações de ativos deste setor entre, por exemplo, o alto retorno de ativos biotecnológicos e os ativos de escala maior dos fabricantes genéricos que possuem margens mais apertadas.
– Consumo: no setor de consumo, especialmente na Ásia, empresas estão ansiosamente dispostas a pagar preços altos por companhias que irão se beneficiar da demografia favorável da região num futuro próximo. Projeções de crescimento das economias asiáticas tem sido um ponto focal para as empresas do Ocidente e a forte competição destas por ativos asiáticos influenciará para cima o preço destes ativos.
Segundo o estudo, um dos maiores desafios é a amplitude de sinais contraditórios que o mercado pode apresentar. Por exemplo, após a Austrália ter relatado, inicialmente, um fraco desempenho do seu mercado consumidor, uma nova onda de consumismo contribuiu para o País registrar crescimento de 4,3% em sua economia.
Para o segundo semestre de 2012 são esperadas mais transações de M&A neste setor, principalmente nos mercados emergentes.
– Serviços Financeiros: de acordo com o estudo, este é o setor que sofrerá mais impacto devido às reformas regulatórias em curso nas principais economias do mundo (particularmente na Europa e EUA), o que pode significar custos correntes substanciais e pressão adicional nas margens de lucro dos ativos deste setor.
Apesar das implicações negativas destas expectativas, as taxas médias de crescimento dos ativos ainda permanecem saudáveis.
Um dos motores por traz da recuperação geral de valores dos ativos está nos esforços das empresas em quitar seus débitos e criar novas reservas de dinheiro.
– Indústria e Área Química: nos últimos dois anos, a proximidade entre as taxas médias de crescimento de cinco anos de EBITDA e de receita no setor Industrial e de empresas químicas sugerem que outros benefícios, além das sinergias, estão impulsionando as transações de M&A do setor.
A média dos múltiplos de EBITDA do setor, contudo, ficou basicamente no mesmo patamar entre 2010 e 2011, enquanto a maioria dos outros setores teve um ligeiro aumento. Isto reflete a desaceleração que o setor está enfrentando globalmente. Se a confiança das empresas deste setor diminuir um pouco mais, então táticas de corte de custos deverão voltar à tona. Com o aumento dos desinvestimentos e a venda de ativos não essenciais, valorizações médias do setor podem cair.

