No primeiro semestre deste ano, ataques digitais voltaram a atingir com força governos e instituições de saúde na América Latina. A conclusão é de um novo levantamento da ESET, empresa de detecção proativa de ameaças, que analisou casos reais registrados entre janeiro e junho e identificou os setores mais visados pelos cibercriminosos.
CONTEÚDO RELACIONADO: 80% das empresas brasileiras sofreram incidente cibernético nos últimos 12 meses
Entre os destaques está o cenário brasileiro. De acordo com dados divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mais de 750 milhões de tentativas de ataques contra os sistemas do órgão foram identificadas nos últimos 90 dias. Desde janeiro, foram registradas 280 mil alertas de comportamento suspeito, tentativas de ataques de força bruta e presença de códigos maliciosos, demonstrando a crescente sofisticação das ameaças direcionadas a estruturas críticas.
Segundo a ESET, o maior interesse do cibercrime nesses ataques é obter e comercializar dados sigilosos, seja vendendo no mercado clandestino, seja utilizando em fraudes como phishing ou roubo de identidade.
O levantamento destaca ainda o incidente que afetou o sistema da empresa C&M Software (CMSW) no Brasil, responsável por intermediar conexões entre bancos de menor porte e o sistema Pix, do Banco Central. O ataque, que não teve autoria confirmada, afetou seis instituições financeiras e pode ter causado prejuízos de R$ 541 milhões, segundo a CNN.
Além do setor público, saúde também foi um dos alvos nos países vizinhos
No Uruguai, por exemplo, cibercriminosos invadiram os sistemas do Ministério de Desenvolvimento Social e vazaram mais de 37 mil documentos contendo dados pessoais da população – um dos ataques mais graves já registrados no país. Ainda em Montevidéu, o site da TV Ciudad foi invadido e usado para divulgar imagens falsas geradas por inteligência artificial com os principais candidatos à presidência em situações constrangedoras. O caso levantou preocupações sobre o uso de deepfakes como ferramenta de manipulação política.
No Paraguai, uma das maiores violações de dados da história do país afetou os sistemas de diversas instituições públicas. O ataque comprometeu dados de mais de 7,2 milhões de cidadãos, incluindo informações como cédulas de identidade, endereços, datas de nascimento, registros eleitorais e até afiliação política.
Na Argentina, houve o uso de campanhas de phishing direcionadas a usuários comuns e contribuintes, com e-mails falsos em nome da Receita Federal simulando multas e distribuindo trojans bancários. A Argentina ainda teve um incidente de destaque no setor de saúde: a empresa Informe Médico, que presta serviços a mais de 30 clínicas e hospitais, teve seus sistemas invadidos, expondo mais de 665 mil exames médicos, laudos e dados pessoais de pacientes e profissionais de saúde.
No Peru, em junho, um hospital pediátrico foi alvo de um ataque de ransomware conduzido pelo grupo Nightspire. Os criminosos alegaram ter comprometido 30 GB de dados sensíveis e exigiram pagamento de resgate em criptomoedas. A instituição atendia serviços essenciais, como emergência e alimentação comunitária.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X (Twitter).

