*Por Luiza Dias
É fato que a conectividade é o alicerce da nossa economia e rotina. Falar sobre ela significa falar sobre diversos tópicos cujo meio e interação exigem uma base sólida: a confiança digital. É justamente nesse ponto que a cibersegurança se consolida como uma prioridade estratégica para empresas, governos e cidadãos. O Dia Mundial da Internet, celebrado em 17 de maio, nos incentiva a refletir e debater sobre os avanços e impactos proporcionados pela tecnologia, bem como sobre a responsabilidade de garantir que essa experiência seja segura para todos.
Em âmbito nacional, os hábitos dos brasileiros ajudam a dimensionar a relevância desse debate. Dados do relatório “Digital 2026: Brazil”, produzido pela We Are Social e Meltwater, mostram que o consumo de mídias e redes sociais no país supera significativamente a média global, com usuários passando cerca de 20 horas a mais por semana on-line. Esse comportamento demonstra o quanto o ecossistema virtual está integrado à rotina da população e como se tornou um espaço permanente de interação social. Ao mesmo tempo, quanto maior o tempo de exposição, maiores também são as oportunidades para agentes maliciosos explorarem vulnerabilidades, aplicarem golpes e disseminarem fraudes. Enquanto especialista na área, percebo diariamente como essa integração profunda amplia a superfície de ataque disponível.
Um dado relevante divulgado pelo Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), também do IBGE, aponta que 98,8% dos brasileiros acessam a web pelo celular, tendo o consumo de vídeos entre as principais atividades realizadas. A popularização dos dispositivos móveis transformou o smartphone em uma extensão da vida pessoal e profissional, já que o aparelho concentra aplicativos bancários, documentos, redes sociais, dados corporativos e informações privadas. Essa centralização torna o dispositivo um alvo extremamente atrativo. Links maliciosos enviados por mensagens, aplicativos falsos, redes Wi-Fi inseguras e golpes de engenharia social estão entre as ameaças mais comuns enfrentadas pelos usuários. A conscientização da população sobre práticas seguras de navegação tornou-se tão importante quanto o investimento em tecnologias avançadas de proteção.
No uso cotidiano de dispositivos móveis, algumas ações podem reduzir vulnerabilidades, como manter o sistema operacional e os aplicativos sempre atualizados, utilizar senhas fortes ou biometria para bloqueio de tela. Em termos de segurança cibernética, acredito que evitar conexões em redes Wi-Fi públicas, não clicar em links suspeitos recebidos por mensagens ou e-mails e instalar apenas aplicativos de fontes confiáveis são medidas primordiais. Vale lembrar que também é importante revisar as permissões concedidas aos aplicativos e ativar recursos como autenticação em dois fatores para robustecer os mecanismos de defesa do dispositivo.
O acesso sem proteção adequada pode gerar impactos severos. Ofensivas digitais direcionadas a empresas, órgãos públicos e usuários finais têm potencial para interromper serviços, comprometer dados sensíveis e causar prejuízos financeiros e reputacionais expressivos. A segurança precisa acompanhar o ritmo da expansão tecnológica para que a evolução dos acessos não seja acompanhada pelo aumento proporcional dos riscos.
Ataques cibernéticos
A realidade brasileira evidencia como os crimes virtuais evoluíram em sofisticação e escala nos últimos anos. Golpes envolvendo phishing, roubo de credenciais bancárias, clonagem de contas em aplicativos de mensagens, vazamentos de dados e fraudes financeiras lideram as ocorrências no país. O uso de inteligência artificial também passou a ser incorporado por criminosos para criar mensagens mais convincentes, falsificar vozes e automatizar ofensivas em larga escala.
Um exemplo emblemático foi a recente operação conduzida pela Polícia Federal contra grupos especializados em fraudes bancárias e invasões de contas. Tais organizações movimentaram milhões de reais utilizando esquemas de engenharia social e exfiltração de dados, demonstrando que o crime organizado no ambiente digital deixou de atuar de forma amadora e passou a operar de maneira altamente estruturada, explorando justamente a boa-fé dos usuários e a dependência crescente da tecnologia.
A construção de um ambiente digital mais seguro exige uma atuação conjunta. Empresas precisam investir continuamente em proteção de dados, autenticação robusta, monitoramento de ameaças e cultura de prevenção. Governos devem fortalecer políticas públicas de defesa e combate a ilícitos virtuais. Já os usuários têm um papel fundamental ao adotar práticas básicas, mas eficazes, como utilizar senhas fortes, habilitar autenticação em dois fatores, manter dispositivos atualizados e desconfiar de mensagens suspeitas.
A conectividade continuará avançando em velocidade acelerada, impulsionada pela inteligência artificial, internet das coisas, computação em nuvem e novas experiências imersivas. A questão central não é mais se estaremos conectados, mas como faremos isso de forma segura, confiável e sustentável. A cibersegurança não é um obstáculo para a inovação, mas sim a base que permite que a transformação digital aconteça com confiança. *Luiza Dias é diretora-presidente da GlobalSign Brasil.
Este artigo é de total responsabilidade da autora, não representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.
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