
A TBNet foi criada em 2012 pela TecBan na intenção de conectar os próprios caixas eletrônicos do Banco24Horas à Internet via rádio. Dez anos depois, a operadora mudou seu principal modelo de mercado e hoje aposta em parcerias com as operadoras móveis para levar conectividade via a oferta de LinkBooster, um modem que oferece redundância de rede 4G para conectar redes varejistas e pontos de instituições financeiras, além dos próprios caixas eletrônicos da TecBan.
A expectativa é que, com o 5G, a oferta da TBNet possa aumentar ainda mais em capilaridade e em soluções. Alexandre Coelho, gerente executivo da operadora, explica na entrevista a seguir como a companhia pretende aproveitar esse segmento de mercado que abriu.
Portal IPNews: Qual foi a necessidade da TecBan que a levou a criar sua própria operadora?
Alexandre Coelho: Ela foi criada há dez anos, quando a TecBan estava expandindo sua rede de caixas eletrônicos (ATM) Banco24Horas e, na época, o link de telecom era crítico, com problemas de disponibilidade principalmente no Norte e Nordeste. Apareceu a oportunidade de criar a TBNet para prestar serviços de telecom para a própria TecBan e depois pensar em ir para o mercado externo. A ideia era agilizar o time-to-market com qualidade.
Qual a infraestrutura da TBNet?
Temos uma licença SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) e começamos com uma rede própria de rádio always-on, com frequência licenciada na zona metropolitana de São Paulo. Temos sites próprios em um modelo parecido com o de operadoras móveis e também contamos com o modelo de compartilhamento de rede. Hoje, temos uma nova solução que é o LinkBooster, que permite a conectividade 4G na última milha com contrato com operadoras móveis. Então somos um provedor SCM que também contrata serviços de outras operadoras para compor suas ofertas.
Qual é a principal tecnologia que vocês utilizam nos seus serviços?
É a rede móvel de operadoras através do LinkBooster. Ela ultrapassou o número de pontos da rede always-on que é em cima de rádio. Essa última, a única cliente é a TecBan e temos certa de 500 pontos ativados. Mas só de clientes externos com o LinkBooster já passamos a marca de 3 mil pontos, fora os que ATMs que atendemos só para a TecBan.
Como funciona a oferta do LinkBooster?
A solução técnica funciona a partir de um modem 4G dualchip, onde instalamos dois chips 4G das operadoras que fornecem o melhor sinal na região, a partir de testes de nível de sinal. Esse modem é capaz de mudar a rede para outra operadora caso o link principal caia, garantindo 99,8% de disponibilidade, o que é superior a links dedicados MPLS. E dentro do nosso centro de rede, conseguimos monitorar o modem e a disponibilidade da conexão, monitorando a performance dos dois chips, consumo de franquia e banda. Também podemos fornecer outros serviços, como Wi-Fi para quem está por perto e conectar a rede de CFTV (sistema de videomonitoramento).
E para quem vocês oferecem essa tecnologia?
Essa oferta nasceu do atendimento com a TecBan, ainda na época do 3G. Em 2018, começamos a oferecer ao mercado externo B2B. O primeiro contrato foi com o Itaú Unibanco, atendendo os caixas eletrônicos, agências e pontos de atendimento, adequando a oferta de acordo com o perfil de consumo de cada negócio. Também oferecemos para varejistas, alguns dos quais já são parceiros da TecBan para ter caixas 24Horas em suas lojas.
Por que vocês evoluíram sua rede de rádio para móvel ao invés de investir em fibra óptica?
Começamos com o always-on em São Paulo porque era mais fácil e barato de implementar, além de trazer uma ótima disponibilidade. E depois que fomos para o modelo do LinkBooster, vimos que as soluções móveis trazem uma solução até melhor que o cabeamento físico. Com o 5G, deve ser disruptivo, além de que os investimentos em 4G devem aumentar para atingir as metas estabelecidas pelo leilão do 5G. Por isso, preferimos continuar investindo nessa oferta e em parcerias com operadoras móveis e, porque não, com provedores de fibra óptica também para conectar mais clientes. Agora, a TBNet não tem planos de construir sua própria rede de fibra óptica.
Vocês enxergam a possibilidade de aumentar a oferta do LinkBooster com a expansão do 4G e o surgimento do 5G?
Com certeza. Hoje, temos escritórios em 18 estados e no Distrito Federal, além de conseguir atender todos os estados, com uma capilaridade muito interessante. Nossa oferta é limitada pelo alcance das nossas equipes e a disponibilidade de links de redes (móvel ou cabeada) no cliente. Com o investimento em 4G, aumenta nossa capilaridade. Já com o 5G, estamos trabalhando com uma parceira para desenvolver um modem para que o LinkBooster também possa aproveitar essa rede.
Vocês fizeram testes com um ATM conectado ao 5G. Quais são os resultados?
Conectamos um ATM do Banco24Horas na nossa matriz em Alphaville (Barueri/SP). Colocamos o LinkBooster, com o serviço de Wi-Fi e CFTV também, e comparamos a disponibilidade de banda com o 4G. A velocidade do 5G chegou a 300 Mbps, dez vezes do que entrega o 4G, e queremos explorar mais coisas. Um teste que fizemos é utilizar a rede para um cliente fazer uma teleconferência com o gerente do banco para resolver o problema. Com um tablet, chamamos a central de atendimento da TecBan e realizamos uma videoconferência. Com muita banda, podemos começar vários projetos, como a realidade aumentada para ajudar o técnico que vai realizar a manutenção no ATM, por exemplo.
Dá para medir o tempo que um cliente passa a menos no ATM conectado ao 5G?
Não temos essa métricas, mas podemos afirmar que sim. O tempo de resposta da tela já fica mais rápido. A expectativa é que surja mais demanda de soluções para os ATMs conforme a velocidade de conectividade cresce. Por enquanto, é questão do ATM ter mais tecnologia para podermos utilizar o 5G. A videoconferência mesmo é uma demanda dos próprios bancos.
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