PagSeguro e Moip pretendem utilizar variáveis de perfil do consumidor para autenticar transações de dispositivos móveis e ajudar a popularizar tecnologia.
O IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos) divulgou recentemente um estudo apontando que os pagamentos móveis irão substituir o dinheiro vivo e os cartões de crédito e débito nas compras tradicionais até 2030. No Brasil, os pagamentos eletrônicos já ocorrem mas estão basicamente restritos ao e-commerce, o que gera a dúvida se o país seguirá a tendência de outros mercados.
Pagamento móvel substituirá dinheiro e cartão até 2030, diz pesquisa
Na opinião de Igor Senra, presidente do Moip, empresa especializada em pagamentos eletrônicos, a adesão a esse tipo de tecnologia pode demorar algum tempo, e quem irá ditar o caminho será a experiência do consumidor. Como exemplo, ele cita o Uber, onde o pagamento móvel já é utilizado e os usuários já estão acostumados com isso. “Não dá para imaginar alguém pagando o motorista do aplicativo com dinheiro. Isso vai passar a ser comum também nas lojas”, aponta.
Ele considera que as transações móveis devem substituir os outros meios antes de 2030. “Vemos que a compra por cartão já é maior que o dinheiro inclusive em estabelecimentos pequenos. A tendência é que evolua ainda mais rápido para o móvel”, avalia Senra.
O que poderá ajudar na empreitada serão as soluções de segurança abordadas pelos dispositivos móveis, como o smartphone, na hora do pagamento. De acordo com a pesquisa do IEEE, quase metade dos entrevistados (46%) se preocupam com o hackeamento das informações, enquanto 33% estão preocupados com o processamento de transações não autorizadas por um fornecedor de tecnologia de pagamento móvel.
Davi Holanda, diretor de Inovação, Produtos e Marketing do PagSeguro UOL, reconhece que esse é o principal receio do consumidor. A proposta da empresa é usar as mesmas tecnologias de reconhecimento de pagamento utilizadas no e-commerce no pagamento móvel.
“Hoje, cruzamos informações características de cada consumidor, como IP, preço da compra, horário, local, etc, em cada transação. Se for ‘estranho’, o pagamento vai para análise e podemos até mesmo entrar em contato com o cliente para ver se ele está mesmo fazendo essa compra”, explica.
O Moip também utiliza um processo de tecnologia parecido, onde analisa cerca de 420 variáveis antes de aprovar um pagamento. No caso, Senra diz que a intenção principal da empresa é criar uma tecnologia que seja cômoda, segura e usável pelo consumidor, “para que não haja rejeição”.
Holanda concorda com essa visão e diz que o PagSeguro possui uma diretoria focada exatamente na questão da conveniência para o consumidor. Ele ainda sugere novas formas de autenticação, mais seguras e práticas que senhas, que podem ajudar na mudança do usuário. “É possível autenticar transações móveis por foto ou voz, combatendo a sensação de falta de segurança do consumidor na hora do pagamento”, aponta.

