O uso da tecnologia pode ajudar empresas e a economia a se tornar mais sustentável, apontaram os participantes do Fórum da Internet no Brasil (FIB), realizado esta semana de forma online pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br). De acordo com dados apresentados na sessão, o setor de TIC é responsável por cerca de 2,5% das emissões de carbono – só comunicações é 0,8% – mas o setor ainda pode ajudar a reduzir entre 13% e 27% as emissões globais.
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Quem apresentou os dados foi Artur Coimbra, diretor de Aprimoramento de Investimento em Telecomunicações do Ministério das Comunicações (Minicom). Segundo ele, um exemplo do uso da tecnologia para benefício do meio ambiente é no setor de energia elétrica, que perde 15% de sua produção por motivos técnicos e não técnicos, que podem ser evitadas através de soluções de smart grid. “O trabalho remoto também reduz até 40% as emissões de gases estufa por empregado ao ano”, complementou.
No entanto, o setor de TIC ainda precisa trabalhar para diminuir sua pegada digital. De acordo com o diretor-executivo do Instituto Nupef, Carlos Afonso, o consumo de energia de data centers é grande. “Uma pesquisa no site do Google consumia a energia gerada para ferver toda a água de uma chaleira”, destaca ele, se referindo a um dado de anos atrás e que pode ter sido melhorado. “Além disso, a poluição de eletrônicos (como celulares e PCs jogados no lixo) também é um problema novo e a indústria precisa se atentar a isso.”
Representando o setor empresarial, Andriei Gutierrez, diretor de Assuntos Governamentais da IBM Brasil, aponta que as empresas do setor de TIC precisam adotar compromissos de redução e otimização de consumo de energia e trocar suas matrizes energéticas para sustentáveis. “A IBM está fazendo este esforço e já reduziu a emissão de carbono em 40% desde 2005”, afirmou. Ainda segundo ele, a previsão é que 55% da matriz energética da empresa seja renovável até 2025.
“A tecnologia não vai resolver tudo, mas ela pode impulsionar. Isso vai depender de vontade política e do uso da tecnologia para mudar”, afirmou Gutierrez. “Quanto mais o país estiver preparado para a transformação digital, mais estará preparado para enfrentar a pandemia, que é um problema conjuntural, como para propiciar maior crescimento econômico e sustentável a médio e longo prazo”, complementou Coimbra, do Minicom.
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