Para Luis Fernandez Lopez, professor da Faculdade de Medicina da USP, faltam ofertas no mercado que equacionem os problemas que a prática envolve.
Apesar de todas as possibilidades que encerra, a telemedicina sobre IP no Brasil ainda é uma prática mais voltada para pesquisas e ensino. Essa é a opinião de Luis Fernandez Lopez, professor da Faculdade de Medicina da USP. Isso porque, para o especialista, ainda não surgiu um fornecedor da tecnologia que tenha conseguido equacionar os problemas inerentes ao negócio. “Vários projetos de telemedicina no País não deram certo em função de problemas que ocorrem particularmente em países como o Brasil”, disse Lopez, após proferir uma palestra durante o IPComm 2008.
Um dos principais obstáculos à telemedicina no País, de acordo com o professor, é a falta de um modelo de negócios. “Como cobrar por esses serviços? Todos sabem fazer o billing de telecom, mas quando se fala de telemedicina isso não está claro. Ainda não existe uma prática que tenha ensinado como fazer”. Além disso, há outras questões, como: falta de licenciamento e credenciamento de produtos e profissionais; manutenção da confidencialidade; falta de provisão no atual código de ética médica para medicina à distância; falta de uma conscientização / cultura para o uso da telemedicina; resistência dos conselhos éticos e profissionais, falta de pagamento para procedimentos telemédicos por convênios ou seguros, reação a quebra de divisão de territórios e competências; e resistência a uma segunda opinião medica.
Apesar de todos esses revezes, Luis Fernandez Lopez acredita que se trata de uma área promissora. “O uso da telemedicina ajuda a evitar problemas de processo contra erros médicos, auxilia na regulamentação estrita de uso de medicamentos, procedimentos e dispositivos médicos, contorna problemas de ética de pesquisa com seres humanos e evita problemas de licenciamento ou credenciamento profissional”, avalia.
O especialista tem a esperança de que mais empresas se interessem em trazer soluções para o mercado, e para estimular os players citou a expansão da base de mercado e das clínicas privadas, a otimização de recursos humanos especializados, a diminuição de custos, a utilização da capacidade ociosa, a venda de conhecimento, e a oferta diferenciada por planos de saúde e hospitais.
Prática atual
O professor conta que, devido à falta de mais produtos, hoje a telemedicina no Brasil é mais usada para as áreas de pesquisa e ensino. “A videoconferência, por exemplo, é usada em trabalhos colaborativos e estudos de caso. Há ainda a educação à distância, a teleradiologia e a emissão de segundas opiniões”, afirma.
Lopez conta que há dois anos o Brasil conta com a Rede Universitária de Telemedicina (Rute), uma iniciativa da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério da Saúde, que conecta 57 escolas de medicina e hospitais universitários em todo o Pais. “Hoje essa rede é basicamente usada para fazer estudos de caso”, conclui.

