Negócios

TIM estuda ofertas para manter clientes da Oi e deseja aprovação pelo Cade antes do leilão do 5G

Pietro Labriola, presidente da TIM Brasil, recepciona jornalistas em almoço no fim de 2019. Conversa com jornalistas teve que ser online em 2020 (Foto: divulgação TIM).

Após arrematar os ativos móveis da Oi em parceria com a Vivo e a Claro, a TIM já faz planos para manter a nova clientela após a aprovação da aquisição pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Durante coletiva realizada de forma online hoje (16/12), Pietro Labriola, CEO da TIM, explicou que o ideal é que o cliente não precise nem trocar de chip e, para isso, a operadora precisa entender melhor quais são os planos da Oi e como adaptá-los ao portfólio da TIM.

CONTEÚDO RELACIONADO – TIM, Vivo e Claro arrematam redes móveis da Oi por R$ 16,5 bilhões

De acordo com um analista de mercado que Labriola ouviu, a Oi conta com mais 800 ofertas diferentes, mas que apenas 5% delas representam quase 90% do total que os clientes utilizam. Ou seja, os 10% são ofertas personalizadas. “Precisamos encontrar planos parecidos na TIM. O processo de migração tem que ser o menos ruidoso possível”, destaca ele. 

O desafio, no entanto, é adaptar o modelo comercial da TIM, mais voltado a clientes de plano controle e pós-pago do que o pré-pago da Oi, que foi caracterizada durante muito tempo por optar por valores competitivos na hora de conquistar clientes. Para isso, Labriola acredita que o melhor serviço da TIM vai fazer a diferença, apostando na maior quantidade de espectro de rede que a operadora tem. 

Mario Girasole, vice-presidente para Regulação da TIM, no entanto, diz que a divisão de clientes não é tão relevante para a operadora. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a TIM ficará com cerca de 40% da base total de clientes da Oi, o que dá aproximadamente 14,5 milhões de usuários. “Essa distribuição de clientes foi feita de forma que pudesse equilibrar mercado”, diz ele. Ou seja, para minimizar problemas de monopólio e facilitar a aprovação regulatória, a divisão será feita de forma local e privilegiando a operadora que tiver menos clientes em determinada região. 

O executivo, no entanto, está mais preocupado com os prazos de aprovação do negócio. A expectativa é que o Cade leve o ano de 2021 inteiro para aprovar a aquisição (o órgão tem 240 dias para analisar o caso, prazo prorrogável por mais 90 dias), mas o mercado de telecom e Girasole entendem que é necessário que isso ocorra antes do leilão do 5G. Isso porque a aprovação daria uma segurança para as operadoras investirem na nova tecnologia móvel. 

Girasole ainda deixou claro que quem assume o espectro da Oi terá de manter as respectivas obrigações de abrangência. Além disso, ele reafirmou que eventuais acordos de compartilhamento de rede serão mantidos para que a transição tenha impacto zero no cliente final. O consumidor ainda terá, obviamente, o direito de trocar de operadora se assim preferir. 

Dinheiro para a compra 

Adrian Calaza, diretor financeiro da TIM, também comentou que a operadora está em situação confortável para realizar a compra da parte que lhe cabe da Oi, já que tem mais dinheiro em caixa do que dívidas. Ele destacou que a TIM deve fechar o ano com R$ 4 bilhões em caixa, mais do que a metade do que é necessário para a aquisição, acertada em R$ 7,3 bilhões. A operadora espera usar esse montante e financiar o restante com bancos brasileiros, aproveitando os juros baixos. 

“Nos últimos oito trimestres, geramos caixa para lidar com uma eventual consolidação do mercado brasileiro. A compra (da Oi) será feita no melhor período, em comparação com cinco anos atrás, já que estamos com menor juros e sem necessidade de pedir empréstimos fora do Brasil”, complementa o CEO da TIM. 

Além dos 14,5 milhões de usuários, a TIM também deve ficar com 7,2 mil sites de acesso móvel da Oi (49% do total) e com aproximadamente 49 MHz como média nacional ponderada pela população (54% das radiofrequências da UPI Ativos Móveis). 

 

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