Após arrematar os ativos móveis da Oi em parceria com a Vivo e a Claro, a TIM já faz planos para manter a nova clientela após a aprovação da aquisição pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Durante coletiva realizada de forma online hoje (16/12), Pietro Labriola, CEO da TIM, explicou que o ideal é que o cliente não precise nem trocar de chip e, para isso, a operadora precisa entender melhor quais são os planos da Oi e como adaptá-los ao portfólio da TIM.
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De acordo com um analista de mercado que Labriola ouviu, a Oi conta com mais 800 ofertas diferentes, mas que apenas 5% delas representam quase 90% do total que os clientes utilizam. Ou seja, os 10% são ofertas personalizadas. “Precisamos encontrar planos parecidos na TIM. O processo de migração tem que ser o menos ruidoso possível”, destaca ele.
O desafio, no entanto, é adaptar o modelo comercial da TIM, mais voltado a clientes de plano controle e pós-pago do que o pré-pago da Oi, que foi caracterizada durante muito tempo por optar por valores competitivos na hora de conquistar clientes. Para isso, Labriola acredita que o melhor serviço da TIM vai fazer a diferença, apostando na maior quantidade de espectro de rede que a operadora tem.
Mario Girasole, vice-presidente para Regulação da TIM, no entanto, diz que a divisão de clientes não é tão relevante para a operadora. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a TIM ficará com cerca de 40% da base total de clientes da Oi, o que dá aproximadamente 14,5 milhões de usuários. “Essa distribuição de clientes foi feita de forma que pudesse equilibrar mercado”, diz ele. Ou seja, para minimizar problemas de monopólio e facilitar a aprovação regulatória, a divisão será feita de forma local e privilegiando a operadora que tiver menos clientes em determinada região.
O executivo, no entanto, está mais preocupado com os prazos de aprovação do negócio. A expectativa é que o Cade leve o ano de 2021 inteiro para aprovar a aquisição (o órgão tem 240 dias para analisar o caso, prazo prorrogável por mais 90 dias), mas o mercado de telecom e Girasole entendem que é necessário que isso ocorra antes do leilão do 5G. Isso porque a aprovação daria uma segurança para as operadoras investirem na nova tecnologia móvel.
Girasole ainda deixou claro que quem assume o espectro da Oi terá de manter as respectivas obrigações de abrangência. Além disso, ele reafirmou que eventuais acordos de compartilhamento de rede serão mantidos para que a transição tenha impacto zero no cliente final. O consumidor ainda terá, obviamente, o direito de trocar de operadora se assim preferir.
Dinheiro para a compra
Adrian Calaza, diretor financeiro da TIM, também comentou que a operadora está em situação confortável para realizar a compra da parte que lhe cabe da Oi, já que tem mais dinheiro em caixa do que dívidas. Ele destacou que a TIM deve fechar o ano com R$ 4 bilhões em caixa, mais do que a metade do que é necessário para a aquisição, acertada em R$ 7,3 bilhões. A operadora espera usar esse montante e financiar o restante com bancos brasileiros, aproveitando os juros baixos.
“Nos últimos oito trimestres, geramos caixa para lidar com uma eventual consolidação do mercado brasileiro. A compra (da Oi) será feita no melhor período, em comparação com cinco anos atrás, já que estamos com menor juros e sem necessidade de pedir empréstimos fora do Brasil”, complementa o CEO da TIM.
Além dos 14,5 milhões de usuários, a TIM também deve ficar com 7,2 mil sites de acesso móvel da Oi (49% do total) e com aproximadamente 49 MHz como média nacional ponderada pela população (54% das radiofrequências da UPI Ativos Móveis).
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