Pagamentos com vales transporte, alimentação, refeição e telefonia pré-paga, entre outros, somarão R$ 89 bilhões até o final de 2010.
Após ser superado pelos cartões de crédito e débito, o cheque está bem perto de perder mais uma posição na preferência do consumidor brasileiro. O próximo segmento a superá-lo são os sistemas de pagamento antecipados, os chamados pré-pagos. Segundo dados do Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP), Capítulo Brasil do Prepaid International Forum, os instrumentos como os vales alimentação, refeição e transporte, assim como a telefonia pré-paga movimentarão R$ 89 bilhões até o final deste ano.
As estimativas da entidade são de que o segmento chegará ao final de 2012 movimentando cerca de R$ 123 bilhões. Nesta época, os cheques usados para pagamento do consumo privado dos brasileiros serão responsáveis por um montante de R$ 105 bilhões. “O Brasil é um dos países mais avançados no uso dos pré-pagos. Eles apresentam inúmeras vantagens em relação aos cheques e até sobre o dinheiro. É natural que aconteça uma substituição da usabilidade à medida que os modelos de negócios sejam mais conhecidos”, afirma o presidente do GSPP, Boanerges Ramos Freire.
Segundo o presidente do GSPP, o setor crescerá 17% no Brasil ao ano nos próximos cinco anos e chegará a um volume de R$ 196 bilhões de transações no final de 2015. A partir deste ponto, o ritmo de crescimento diminuirá um pouco, mas continuará crescendo fortemente. A expectativa é de que em 2020 o setor realize um montante de R$ 369 bilhões em pagamentos, o que representará um crescimento médio de 13% ao ano em relação a 2015.
Boanerges explica que atualmente no Brasil um dos principais destaques do setor de pré-pagos é o segmento de benefícios. Nesta categoria estão relacionados os projetos regulados pelo governo, como os vales refeição, alimentação e transporte. Outros modelos estão em fase de regulamentação, como os cartões de incentivo e o vale cultura. Existem ainda os formatos não regulados, como os voltados para o abastecimento de combustível e gestão de frota. “Estes produtos e mais outros cartões pré-pagos como cartão viagem, cartão presente e cartões para jovens e estudantes (mesada eletrônica) são considerados os modelos tradicionais de pré-pagos e chegarão ao final de 2010 com uma participação de 63% de todo o mercado”, afirma Boanerges. “Em 2015 esta participação aumentará para 77% e em 2020 para 86%”, completa.
O aumento da participação dos modelos tradicionais acontecerá proporcionalmente à estabilidade de outro setor importante que é o da telefonia pré-paga. Este segmento chegará ao final de 2010 com uma participação de 37% do setor, diminuindo para 23% em 2015 e para 14% em 2020. “É um movimento natural porque a base de telefones pré-pagos no Brasil já está perto do limite de crescimento e tende a se estabilizar nos próximos anos. Enquanto isso, existe uma grande variedade de uso nos modelos tradicionais que ainda precisam ser desenvolvidos e que certamente serão incorporados ao consumo dos brasileiros neste período”, diz.
Ele cita entre os modelos ainda não desenvolvidos possibilidades junto aos programas do governo, como Bolsa Família, Auxílio Emergência (para casos de catástrofes naturais, por exemplo), seguro desemprego, aposentadoria / pensão, e novos produtos para o dia-a-dia como carteira eletrônica (substituição do dinheiro), cartões para indenização de seguros, remessas de valores, gastos on-line, e cartões pré-pagos para a população desbancarizada.

