Representantes das empresas avaliam que nos próximos cinco anos esse modelo de negócio terá grande potencial de expansão no Brasil. Por outro lado, elas afirmam existir barreiras a serem transpostas.
Levar as características de Comunicação Unificada existentes hoje para empresas que preferem um modelo de negócio diferenciado – como aluguel de serviços – ou que não tenham capital para investir no parque tecnológico completo. Segundo executivos de empresas do setor de UC no Brasil e no Exterior, sendo Avaya, IBM e Cisco: comercializar soluções desse segmento como serviço é uma tendência de mercado para os próximos anos que poderão ser a saída para o crescimento dessa plataforma.
A constatação pode ser baseada em recente levantamento realizado nos Estados Unidos, pela CDW, cuja pesquisa revela que a taxa de implementação da tecnologia, que permite convergência entre voz, vídeo e dados, continua a mesma se comparada ao ano anterior: 8% das 915 organizações entrevistadas já implementaram completamente o sistema de UC em suas empresas. Com essa estagnação, os desenvolvedores começaram a apostar no modelo de negócios SaaS (software as a service) para conquistar novos clientes.
Segundo Pat Scheckel, vice-presidente de infraestrutura para soluções de convergência da CDW e responsável pela pesquisa, esse modelo de negócio propicia como resultado a redução de custo, aumento da produtividade e melhora na tomada de decisão. “São benefícios que favorecem qualquer indústria, especialmente em uma economia de recessão”, analisa.
A Cisco é uma das empresas que já anunciou ter como potencial de expansão o setor de SaaS. Para Rick McConnell, vice-presidente de UC da empresa, “esse tipo de serviço – em que providenciamos toda a interligação da comunicação e o cliente paga mensalmente -, está crescendo muito e tomando mercados novos. Com certeza entraremos nessa também”. Segundo ele, a Cisco já está fechando contratos nesse formato com alguns clientes novos. “Todo o mercado está de olho nessa possibilidade, há pesquisas que mostram inclusive que em quatro ou cinco anos, 25% de todo o mercado de softwares será vendido como serviço” cita.
Mario Costa, gerente da divisão Lotus da IBM no Brasil, diz que o mercado “espera um crescimento expressivo na área de comunicação unificada nas empresas. Mas, em contra partida, o que a gente percebe é que existe uma barreira a ser vencida: ‘como elas implementam a plataforma sem trocar a infraestrutura completa de hardware’”. Por isso, de acordo com Costa, a proposta é flexibilizar as soluções. “Para clientes menores, por exemplo, é possível oferecer um modelo de negócio diferenciado do tradicional (compra dos produtos) e gastar bem menos”.
Já o gerente de vendas de aplicações da Avaya Brasil, Miguel Muniz também acredita na flexibilização de soluções e mostra que os produtos de UC da empresa são desenvolvidos com plataforma aberta. “Isso facilita, porque dá para levar ao cliente novos conceitos de gerenciamento mais centralizado, sem trocar tudo de uma hora pra outra. Mas essa [UC as SaaS] é com certeza uma tendência de mercado. As empresas têm de se preparar”.
Costa, da IBM, lembra que a introdução de novos conceitos precisa de um período de adaptação por parte do grupo empresarial. “O modelo de comercialização como serviço é uma questão diferente, não está necessariamente ligada à telefonia ou tecnologia. O fato é que as empresas não querem perder o controle de suas informações no CPD”, comenta.
O executivo enfatiza que muitas empresas não querem contratar esse modelo de serviço por receio de não ter um link seguro, além da pouca infraestrutura de rede disponível no Brasil. Para ele, esse fato leva as grandes corporações comprarem todo o parque tecnológico ao invés de alugá-lo. O seu colega profissional, Muniz, da Avaya, segue a mesma linha de raciocínio e, segundo ele, “dependendo de qual o tipo de planejamento da empresa, ela precisa mesmo adquirir o hardware”.
Comunicação híbrida
Há, porém, um modelo de negócio que agrega os dois tipos de necessidade. De acordo com o gerente da IBM, como a introdução de um novo tipo de comunicação requer tempo e quebra de barreiras, há a possibilidade de implementar uma UC híbrida. “Há clientes que já compraram o pacote básico, sendo uma parte de hardware e software e, agora, querem agregar outras funcionalidades pelo modelo SaaS”, explica Costa.
Segundo Miguel Muniz, da Avaya, “temos inclusive grandes clientes que estão optando por essa estratégia de contratação, que antes trabalhavam com o modelo tradicional de UC e, agora, usam o pacote como serviço”, revela. “Na hora de repor ou atualizar a arquitetura de comunicação, eles reveem o planejamento e se for mais vantajoso, escolhem o SaaS”, complementa.
Para exemplificar como as barreiras desse setor são vencidas aos poucos, o executivo da IBM cita como exemplo as ferramentas de Web Conference. “Hoje já existe um núcleo que oferece vários serviços diferenciados e muitas empresas topam sem medo, mas não foi sempre assim”, lembra Mario Costa. Apesar de concordar com o crescimento do setor de comunicações unificadas como SaaS, o executivo acredita que, em cinco anos, boa parte de telefonia das empresas ainda será adquirida pelo sistema tradicional: a compra.
Suporte
As empresas analisam que a complementação do serviço pode vir ainda pelo suporte de TI. “Temos atendimentos que usam monitoração remota e soluções que fazem pré-diagnósticos, com a intenção de facilitar a resolução do problema do usuário”, diz Muniz.
Segundo Costa a parte técnica do desenvolvedor também deve se preocupar com outros aspectos, além do suporte básico de pós-venda. “Os desenvolvedores devem capacitar o usuário a ter melhor experiência com as ferramentas e, com isso, aumentar a produtividade”.

