Conhecimento

Um setor público inovador e colaborativo

A tecnologia tem auxiliado diversos governos a evoluir de forma significativa para a consolidação de um “governo aberto”, que mantém diálogo mais transparente com seus cidadãos.

Embora a Internet tenha permitido que os órgãos do governo pudessem ter suas atividades acompanhadas pela população, a inovação no setor público deve evoluir para uma nova forma de prestação de serviços, muito além da simples abertura e disponibilidade de dados, que permitam maior colaboração e comunicação direta com os cidadãos.

O caminho inicia-se com a fase de interoperabilidade de sistemas e dados, acesso fácil à informação – um passo já dado por muitas instituições governamentais no mundo todo, inclusive no Brasil. Durante essa etapa, as organizações do setor público devem trabalhar de forma a garantir a colaboração e assim permitir que seus dados (independentes de estarem isolados em diferentes sistemas) possam criar uma visão única para o cidadão, acessível por meio dos diferentes canais de acesso em uso pela população.

Ao cumprir essa meta, a sociedade beneficia-se de forma significativa. O governo passa a compartilhar as informações de suas diversas operações e os cidadãos contam com uma ferramenta capaz de acompanhar o desempenho das estruturas governamentais. Porém, se os órgãos governamentais realmente têm o objetivo de inovar, devem aumentar a forma como aplicam as novas soluções tecnológicas nas suas atividades cotidianas, e assim permitir que conceitos essenciais na prestação dos serviços públicos estejam presentes em cada interação que o cidadão faça junto ao órgão responsável. A inovação deve permitir:

* Colaboração: motivar e facilitar a plena participação dos cidadãos. Isto se adquire ao permitir que a sociedade desenvolva aplicativos que permita obter conhecimentos relevantes a partir dos dados do governo.

* Capacidade de resposta: aproveitar o poder das redes sociais. Devido às soluções baseadas no conceito de Web 2.0, as autoridades podem criar uma plataforma de comunicação que lhes permitirá: conhecer a opinião pública diretamente, sem filtros ou pré-classificações; receber rápidos comentários sobre o impacto de políticas públicas; identificar rapidamente as falhas na prestação dos serviços públicos e ouvir os cidadãos quando desenvolver soluções.

* Inteligência: analisar a informação governamental, assim como os dados que se obtém com a participação dos cidadãos, com o intuito de melhorar a tomada de decisões no momento de elaborar políticas. A análise dos diferentes dados torna possível detectar falhas, fraudes, áreas de oportunidade no atendimento aos cidadãos, alternativas para um uso mais eficiente dos recursos, etc.

Felizmente para as autoridades que acreditam na inovação no setor público, construir uma estratégia que vá além da transparência, do ponto de vista estritamente técnico, não é uma tarefa difícil. No mercado tecnológico da atualidade existem muitas ferramentas que facilitam a adoção dos princípios de colaboração, capacidade de resposta e inteligência.

Entre as ofertas que mais se destacam no mercado, existe uma gama de soluções de software e hardware que, de maneira eficiente, possibilitam o desenvolvimento de uma plataforma de atendimento pública baseada na transparência, colaboração, interação e inteligência.

Mas o desafio da inovação está nas atitudes e na capacidade das organizações governamentais de assumirem uma nova visão para a prestação do serviço público. Uma idéia de governo na qual a participação dos cidadãos é ilimitada e elementos como das redes sociais podem fazer muito pela qualidade dos serviços públicos.

A radiografia ideal de um governo do século XXI é composta por quatro diretrizes: 1) Aberto – seus dados devem estar amplamente disponíveis aos cidadãos, guardado o sigilo e a privacidade inerente à informação; 2) Inovador – incentiva a participação das pessoas; 3) Comunicativo – utiliza redes sociais para interagir com a população; 4) Inteligente: analisa efetivamente seus dados.

Para que esta radiografia se torne realidade só há um caminho, que é investir de modo inovador em soluções de tecnologia de informação. Um efeito colateral deste investimento será a maior capacidade dos governos de entregar à sociedade serviços capazes de responder aos seus anseios de transparência, melhor gestão e utilização de recursos, ampliando o senso de cidadania.

*Fernando Faria, diretor da Oracle especialista em soluções para o setor público

 

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