Ao longo da pandemia, a Um Telecom, operadora de atacado que atende o Nordeste, tem investido em soluções de tecnologia na intenção de se tornar uma empresa de TI. A companhia entende que a conectividade não pode ser sua única fonte de receita e que as soluções digitais são uma forma de aumentar o valor agregado do serviço para o setor corporativo.
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“Acreditamos num mundo cada vez mais digital e não queremos só a conectividade como fonte de receita para a Um Telecom. Além da expansão de rede já comentada, queremos amadurecer para virar essa chave e ser uma empresa de TI”, diz Rui Gomes, CEO da Um Telecom. Segundo ele, as principais ofertas da operadora no segmento são nuvem privada e firewall.
Na entrevista abaixo, o executivo comenta, junto com seu filho Daniel Gomes, diretor de Negócios da Um Telecom, como a empresa tem tomado essa direção para o mercado de TI.

Rui Gomes, CEO da Um Telecom (foto: divulgação).
IPNews: Qual o tamanho da operação da Um Telecom?
Rui Gomes: A infraestrutura de fibra óptica tem mais de 16 mil quilômetros, que vai do Maranhão à Bahia toda iluminada em DWDM. Nós atendemos provedores de acesso à Internet (ISP), governo, operadoras e o segmento corporativo – segundo maior faturamento, depois do ISP, devido aos serviços e soluções digitais. Temos crescido cada vez mais este segmento de soluções, com nossa oferta principal Um Firewall, além de nosso serviço de nuvem privada.
Como a funciona a oferta de serviços da Um Telecom?
Rui Gomes: Nossa oferta de cloud privada é oferecida através do nosso data center ou de data center de parceiros. Oferecemos processamento, armazenamento, backup e disaster as a service. Como diferencial dessa oferta, é o cliente já estar dentro da nossa rede, ou seja, já é nosso cliente de conectividade, além do custo menor em comparação à cloud pública (que é variável de acordo com o dólar). Ainda não vendemos nenhum tipo de nuvem pública, mas isso é uma evolução natural e teremos uma oferta do tipo no futuro.
A Um Telecom tem planos para aumentar sua capilaridade de rede?
Rui Gomes: Temos projetos estratégicos que preferimos não revelar agora. Mas será uma expansão orgânica, não pretendemos fazer uma aquisição.
Como foi a evolução dos negócios da empresa ao longo de 2021?
Rui Gomes: Foi muito positiva. Tivemos um crescimento de 30% em relação a 2020 e a gente ficou bem satisfeito com o resultado do nosso planejamento. Aumentamos o número de funcionários e conseguimos expandir o faturamento com soluções digitais. É uma mudança muito grande, passar de uma empresa de conectividade para uma companhia de TI com produtos digitais, então ficamos muito satisfeitos.
Quanto representa essa divisão de serviços e produtos digitais?
Rui Gomes: Em 2021, 5% do faturamento foi de soluções digitais.
Conforme a pandemia foi evoluindo, o segmento corporativo deixou de lado a conectividade nos escritórios em razão do trabalho remoto. Como isso impactou a operação da Um Telecom?
Rui Gomes: O corporativo foi o que mais impactou mesmo. Muitos cancelaram os serviços ou pediram desconto, mas isso já normalizou faz um tempo, incluindo o segmento de turismo e indústria.

Daniel Gomes, diretor de Negócios da Um Telecom (foto: divulgação).
Daniel Gomes: Se o corporativo mostrou um impacto negativo, com o segmento de atacado (ISPs) foi o inverso. As pessoas passaram mais tempo em casa e consumiram mais Internet, o que aumentou a demanda dos nossos clientes.
Os serviços de TI que a Um Telecom passou a oferecer conseguiu ajudar a diminuir o impacto?
Rui Gomes: No começo da pandemia, oferecemos alguns serviços para o home office, como uma VPN (rede privada virtual, na sigla em inglês) para conectar funcionários.
Daniel Gomes: Isso foi bem no início da pandemia. Chegamos até a oferecer a VPN sem custo. Hoje, dentro de nossas soluções de segurança, o carro chefe é o firewall e uma das funções dele é proteger melhor quem trabalha em home office. Também temos soluções de vídeo cloud, que é um videomonitoramento com inteligência artificial, e uma das funções é medir temperatura das pessoas e verificar se estão usando máscaras, uma necessidade para combater a pandemia e que teve mercado ao longo da pandemia.
Como vocês fizeram para suportar a demanda dos ISPs?
Daniel Gomes: A nossa rede está sempre aumentando. Todo ano, se consome cerca de 50% a mais de recursos da rede do que em relação ao ano anterior. No geral, nós já temos o costume de ter uma folga na capacidade da nossa rede. Quando a pandemia começou, tivemos um pico de 70% de aumento em dois ou três meses e foi necessário fazer expansões, mas nada que impactasse algum cliente.
Rui Gomes: E tivemos um investimento de mais de R$ 20 milhões na expansão de rede no ano de 2021.
Quais operações vocês fizeram para aguentar a demanda?
Daniel Gomes: Nós expandimos a principal rota de tráfego, que é a Recife-Fortaleza, que compramos um novo equipamento DWDM, aumentando a capacidade em mais 8 Tbps. Evidentemente que nós não estamos utilizando muito menos que isso, mas é uma infraestrutura que já está pronta para a gente expandir à medida em que precisamos.
Vocês têm interesse no 5G?
Rui Gomes: Estamos de olho no mercado, principalmente em redes privadas. A gente queria o 26 GHz, mas o preço inviabilizou nossa entrada, tanto que o lote do nordeste ficou vazio. Estamos buscando o uso secundário para redes privativas.
Quais os planos para 2022?
Rui Gomes: Estamos sempre buscando desenvolver soluções, com o objetivo de sempre ter mais serviços de valor adicionado à nossa rede. Acreditamos num mundo cada vez mais digital e não queremos só a conectividade como fonte de receita para a Um Telecom. Além da expansão de rede já comentada, queremos amadurecer para virar essa chave e ser uma empresa de TI. Estamos para lançar uma plataforma de videomonitoramento ainda no primeiro semestre, por exemplo.
Como a estratégia de oferecer MVNO para provedores está evoluindo?
Rui Gomes: Estamos terminando de montar o modelo comercial desse produto. Temos a ideia de oferecer como um white label (que permite à empresa que compra o serviço colocar sua marca) para que o provedor tenha seu próprio SIM card para oferecer aos clientes. Existe uma opção para que nós mesmo ofereçamos uma solução de conectividade móvel, via MVNO, para M2M mirando o setor corporativo.
A operação da Um Fibra vai crescer em 2022? Como você enxerga as oportunidades nesse segmento?
Rui Gomes: É uma operação com 6 mil clientes e é 100% apartada da Um Telecom. É outro time e até outro nome, bem segmentada. A ideia é estar em parceria para que não haja atritos com nossos clientes provedores e só procuramos ativar cidades onde não temos um cliente, e sempre em parceria com um ISP interessado em entrar na Um Fibra.
Não há um plano de crescimento para esse negócio, vocês miram mais em oportunidades que parceiros oferecem?
Rui Gomes: Isso. Hoje a gente não tem uma ambição de ter mais assinantes. É uma startup que estamos tendo um aprendizado B2C (mercado consumidor) sem nunca conflitar com nosso cliente principal, os provedores.
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