Unifesp garante agilidade no atendimento aos pacientes e no acesso à informação com nova rede.
A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), tradicional centro de excelência em pesquisas médicas do País, resolveu de vez o problema que, em geral, tira o sono dos administradores das redes consideradas de missão crítica: manter a qualidade do sistema pelo menor custo possível. Uma rede Gigabit Ethernet Extreme BlackDiamond 8810, integrada pela Olitel Telecom, com fôlego o bastante para ligar os mais de 200 prédios da instituição, rodando apenas software livre (do sistema operacional aos aplicativos), garante a disponibilidade total de um sistema que não pode cair. Tudo isso com garantindo a rapidez e segurança no acesso às informações pelos mais de sete mil usuários que hoje dependem do sistema.
A obsoleta rede de dados, padrão FDDI (Fiber Distributed Data Interface), criada em 1992, quando a Unifesp ainda se chamada Escola Paulista de Medicina, ameaçava entrar em colapso. Foi projetada para atender a 200 usuários, ligando apenas 46 computadores, em um projeto que era pioneiro para uma instituição de pesquisa médica, cujo sistema em 2005 já não dava conta da demanda gerada por mais de 4,5 mil computadores e 7 mil usuários, entre pesquisadores, médicos e funcionários em geral.
A saída para evitar o gargalo era a reforma do sistema mediante criação de uma rede Gigabit Ethernet, o que ante a falta de recursos próprios somente seria viável mediante crédito solicitado à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Com menos de um mês para levantar as necessidades, elaborar e encaminhar o projeto, a Unifesp acabou dimensionando a solução sem levar em conta fatores que somente ficariam evidentes na execução da reforma.
Com isso, na hora de executar o projeto, se viu diante de um impasse: obrigada a escolher entre preço e qualidade. “Os recursos obtidos na primeira fase, R$ 700 mil, não seriam o bastante para cobrir as despesas com equipamentos e software. Mas manter o planejamento inicial para honrar o orçamento significaria comprometer a disponibilidade de uma rede que precisa estar no ar 24 horas por dia, oferecendo alto índice de desempenho para garantir a recuperação das informações com a máxima rapidez. Tudo isso sem falar dos critérios de segurança”, lembra o coordenador técnico Rafael Vinicius Dare Giusti.
A Unifesp acabou optando pela solução da Extreme Networks, integrada pela Olitel Telecom, escolhida em licitação. “A rede Extreme BlackDiamond 8810 nos permitiu fazer o melhor pelo menor custo, honrando o orçamento inicial. É fácil explicar: a atualização da rede de tecnologia FDDI, praticamente sem itens para reposição, custaria cerca de R$ 50 mil por switch de dez Megabits. Com menos de um décimo disso, foi possível erguer uma Fast Ethernet de última geração”, resume Giusti.
O coordenador conta que, ao dimensionar a nova rede, a Unifesp considerou necessidades em dois níveis. No primeiro, administrativo, a infra-estrutura deveria ser capaz de suportar o complexo hospitalar de mais de 200 prédios instalados no bairro paulistano da Vila Clementino e a enorme gama de atividades e serviços ali geradas, desde o atendimento a pacientes, no pronto-socorro e nas enfermarias, até a contabilidade – um sem-número de novos aplicativos e tradicionais sistemas ligados. Hoje, das 210 unidades, considerando, inclusive as conexões sem fio, 70 já estão ligados em rede.
No nível de suporte à pesquisa, contudo, é que reside o maior desafio. “Numa instituição como a Unifesp, um dos maiores centros de excelência à investigação científica aplicada à Medicina, estudos envolvendo, por exemplo, seqüenciamento genético e genoma demandam enorme poder de armazenamento e processamento. A rede precisa ser capaz de reduzir ao máximo o tempo de espera”, explica Giusti.
Outras boas razões, entretanto, foram consideradas no projeto. Nos últimos dois anos, por exemplo, a Unifesp começou a identificar demanda na área de teleconferência – ferramenta de trabalho, segundo o coordenador, cada dia mais adotada pelos pesquisadores no intercâmbio de informações. A telemedicina, atividade ainda em fase embrionária, em médio prazo será utilizada pelas equipes médicas nas cirurgias à distância. A tudo isso se soma, ainda, a determinação da universidade de zerar os custos de telefonia, instituindo o sistema de comunicação que utiliza a tecnologia de Voz sobre IP.
A rodovia na qual trafega a rede Extreme BlackDiamond 8810 foi inteiramente pavimentada com software livre. A base é o sistema operacional Linux. Ao todo são doze switches. Duas (BlackDiamond 8810), de grande porte, suportam os prédios onde o tráfego de informações é mais pesado e intenso. Entre elas, há um link de dez Gigabits, expansível até 40. Quatro switches de médio porte (Summit X450, cada uma de 24 portas Gigabit Ethernet), e seis de pequeno porte (Summit 200, cada uma com duas portas Gigabits de 24 e 48 portas Fast Ethernet, para o núcleo de acesso) atendem os prédios de média e pequena densidade.
Na segunda etapa do projeto de reforma, segundo Giusti, a idéia é adquirir mais três níveis switches, para substituir os hubs e, com isso, melhor controlar os acessos nas portas. “A maior demanda de serviços e, ainda, o sistema de Voz sobre IP vão exigir maior controle, para efeito de segurança”, argumenta o coordenador do sistema, que estima uma economia mensal de R$ 5 mil com a eliminação dos links dedicados. “Isso, por si só, já garante o retorno de boa parte do investimento total”, calcula o coordenador, que, do ponto de vista da integridade do sistema, fala com base na experiência vivida pela Unifesp no mais novo campus, em Santos. Lá, segundo ele, desde a inauguração este ano o PABX foi substituído por sistema de VoIP, com 100% de economia e segurança.
Ainda é cedo para quantificar os resultados, na plenitude, argumenta Giusti. Mas ele garante que a economia de R$ 50 mil por switch, se comparada ao custo de uma rede padrão FDDI, foi um dos resultados da rede Extreme BlackDiamond 8810. “Isso fará com que boa parte do investimento se pague já no final deste ano, numa conta que conta não considera a redução 100% nos custos operacionais, quando, muito em breve, graças à rede Gigabit Ethernet, o serviço de telefonia convencional for substituído pelo sistema de VoIP”, estima Giusti.

