Unotel aposta em TV paga e IPTV e atrai empresários de internet

Cerca de 100 investidores atuarão em 490 cidades brasileiras, de 20 Estados.

Embora uma mudança expressiva no mercado de TV paga tenha acontecido após a aprovação da Lei do SeAC (12.485), que abriu espaço para mais empresas investirem em conteúdo, entrar no segmento ainda é um investimento caro para os provedores, que devem pesar os preços de equipamentos, conteúdos, e claro, os riscos. O preço final também é repassado ao consumidor, e essa pode ser uma das razões do Brasil estar na 16ª posição do ranking de países mais caros para o mercado de TV paga. Segundo relatório da FIPE 2013, por aqui, cada pessoa paga cerca de U$$ 0,57 por canal.

Brasil tem quase 19 milhões de assinantes de TV paga

Set top box para TV por assinatura da Unotel chega em março

Uma das oportunidades para provedores de internet de pequenas cidades que ainda não têm recursos para inaugurar um serviço de TV por assinatura e competir com grandes operadoras de cabo, como a NET e SKY – que pelo nome da marca, preços competitivos e pacotes triple e quadri play podem levar algumas pequenas empresas a falência – é fazer isso em conjunto. A Unotel divulgou sua nova marca e posicionamento em TV por assinatura, com um projeto que pode derrubar preços de equipamentos e conteúdos e ajudar pequenos empresários a ampliar seu portfólio e entrar de vez no time dos ‘combos’.

“Não queremos mudar o que o mercado pratica, fizemos uma análise da concorrência e percebemos 90% de similaridade nas ofertas. Então vamos entrar com um conteúdo tão agressivo ou completo quanto o dos concorrentes”, pontua Alessandro Peciauskas, diretor de Programação e Produtos da Unotel TV.

A previsão de disponibilidade do serviço é em junho. Coincidência ou não com a Copa do Mundo FIFA 2014, a empresa já conta com 100 empresários, que ampliarão a oferta de TV por satélite a um preço compatível em mais de 20 Estados, atingindo cerca de 490 municípios.  “Estamos nos esforçando para acontecer antes da Copa, pois depois do Mundial, em 40 dias eles não vão se concentrar em outra coisa”, brinca.

Os números divulgados em março pelo IPEA sobre o mercado de telecom no Brasil mostrou que a base de TV paga atinge 26,6% dos assinantes dos serviços, e desse total, 70% não contratam pacotes combo, pois muitos ainda consideram os serviços caros, e precisam escolher. A companhia, no entanto, reforça que seu diferencial não será o preço, mas o atendimento. “A grande diferença do nosso produto, já que o meu conteúdo vai ser muito similar ao da concorrência, será o atendimento. Uma grande operadora quando entra numa região pequena olha o assinante como um número em seu sistema, mas para o provedor local, que conhece a região, a proximidade é maior”, explica. Do lado do empresário, a facilidade será na aquisição de equipamentos, como decodificadores, antenas, cabos e controles remotos. “A Unotel é uma holding criada para ter link de internet. Quebrou o modelo restritivo e derrubou os preços para os links. A empresa de TV esta nascendo, e o objetivo é trabalhar em grande escala. Vamos negociar o conteúdo, em conjunto e tentar preços menores”.

Segundo o gestor, o preço do conteúdo pode cair cerca de 10%, no mínimo. E os equipamentos também podem sair mais baratos, pois os pedidos são feitos em grande quantidade, em containers que vêm da China, onde os preços são mais baixos. “Eles vêm da China pra Manaus. Um pequeno empresário não conseguiria trazer um container inteiro, mas como empresa eu posso, pois tenho um processo interno de logística para isso”, comenta.

Por falar em inovação, a oferta ainda não inclui conteúdo over-the-top, como a NET e outras grandes provedoras, mas isso está no radar da companhia, que, atualmente mira em IPTV. “Está previsto, não para o lançamento. Estamos evoluindo o modelo tecnológico, e atendendo os requisitos para distribuir em uma rede IP”, comenta Alessandro, e informa que o assinante também poderá gravar dois conteúdos simultaneamente, inclusive da TV aberta digital.

Os equipamentos têm uma entrada IP para que o assinante transforme uma TV simples em uma smart TV. “As TVs inteligentes ainda não são de fácil acesso no Brasil. As LCDs, plasma e LED são mais baratas. A minha caixa tem uma entrada IP e vai permitir que meu cliente transforme sua TV em uma TV IP. Através do decodificador, o assinante terá a opção de escolha do browser, e poderá acessar a internet e assistir vídeos do Youtube e Netflix, por exemplo”, conclui.

Recursos

Uma das formas de captar recursos para o investimento nesse e em outros projetos da empresa, é pela venda de ativos. A companhia informou que a Nat Telecom, que também é controlada pela Unotel, negociou a venda da sua carteira de clientes de IP Trânsito e de Transporte de Dados para a Minas Mais Telecom, com atuação nas regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste, e 35% do valor dessa venda será destinada ao projeto de TV, os demais valores, distribuídos para outros projetos da empresa.

Os serviços permitirão oferecer conexão de alta capacidade à Internet Pública, roteamento, banda exclusiva e peering com as provedoras de backbone nacional.  “As negociações foram satisfatórias e contaremos, a partir agora, com a Minas Mais Telecom como um dos parceiros mais presentes na oferta de serviços aos ISPs reunidos pela Unotel”, disse Orlando Ferreira Neto, presidente da Unotel.

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