Economia Digital

Uso de IA dispara no Brasil, mas desigualdades geracionais e limites da infraestrutura preocupam, aponta estudo da Cisco e OCDE

Crédito: iStock

O uso de inteligência artificial generativa (IA Generativa) cresce de forma acelerada no Brasil, colocando o país entre os líderes globais em adoção da tecnologia. É o que revela uma nova pesquisa realizada pela Cisco em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no âmbito do Digital Well-being Hub, que analisa como os benefícios e riscos da IA estão impactando o cotidiano das pessoas. Os dados mostram, no entanto, que o avanço ocorre de maneira desigual entre gerações e expõe limitações estruturais que podem comprometer a expansão sustentável da tecnologia.

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Segundo o estudo, 51,6% dos entrevistados no Brasil afirmam utilizar ativamente IA generativa, percentual que posiciona o país como o segundo maior usuário entre os mercados analisados, atrás apenas da Índia. Economias emergentes como Brasil, Índia, México e África do Sul lideram a adoção global, superando países europeus em níveis de uso, confiança e engajamento em treinamentos relacionados à IA, o que indica uma mudança em relação aos padrões históricos de difusão tecnológica.

Apesar do ritmo acelerado, a pesquisa aponta que a adoção da IA não pode ser analisada de forma isolada. A incorporação da tecnologia em escala depende de infraestrutura digital compatível, com conectividade de alta qualidade, maior capacidade computacional, redes resilientes e ambientes seguros. A ausência desses elementos tende a aprofundar desigualdades regionais e sociais, limitando os ganhos econômicos e o impacto positivo da IA no longo prazo.

As diferenças geracionais também se destacam. Pessoas com menos de 35 anos concentram os maiores índices de uso e confiança na tecnologia, enquanto adultos mais velhos permanecem menos engajados. No Brasil, apenas 34,4% dos entrevistados afirmam confiar completamente na IA, o que sugere que a baixa familiaridade ainda é um fator relevante para a percepção de risco e utilidade, especialmente entre faixas etárias mais elevadas.

O estudo chama atenção ainda para os efeitos do uso intensivo da tecnologia no bem-estar digital. Em mercados emergentes, o tempo elevado de tela para fins recreativos é mais comum e está associado a menores níveis de satisfação com a vida. No Brasil, quase 48% dos participantes afirmam passar mais de cinco horas diárias no celular. Embora a pesquisa não estabeleça relação de causalidade direta, os dados indicam a necessidade de políticas e práticas que promovam um uso mais equilibrado das tecnologias digitais.

Os resultados também dialogam com as iniciativas do Digital Impact Office da Cisco, voltadas à ampliação do acesso à economia digital e à redução das lacunas de habilidades. Ainda assim, a pesquisa mostra que a qualificação profissional não acompanha o ritmo da adoção: apenas 41,4% dos brasileiros entrevistados relataram ter participado de treinamentos em IA oferecidos por suas empresas nos últimos doze meses.

Para a Cisco e a OCDE, o avanço rumo a uma chamada “Geração IA” exige mais do que rápida adoção. Depende da capacidade de garantir infraestrutura adequada, capacitação contínua e condições para que pessoas de diferentes idades e regiões utilizem a IA de forma segura, produtiva e alinhada ao bem-estar digital.

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