Os imóveis usados mais vendidos em setembro foram os de valor superior a R$200 mil, enquanto o preço que mais subiu no período foi o de apartamentos de luxo construídos há mais de 15 anos e situados em bairros da Zona A.
As vendas de imóveis usados aumentaram 44,35% em setembro na cidade de São Paulo, depois de haverem caído 38,7% em agosto. O índice de vendas fechou em 0,5625 com a venda de 234 casas e apartamentos pelas 416 imobiliárias consultadas pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).
Os imóveis usados mais vendidos em setembro foram os de valor superior a R$200 mil. Eles representaram 38,46% do total de contratos fechados por essas imobiliárias. A maioria dos preços subiu – a pesquisa Creci-SP registrou nove casos de alta e quatro de baixa entre os 13 tipos de imóveis em que se obtiveram registros efetivos de venda para apuração de preços médios de metro quadrado.
O preço que mais subiu em setembro foi o de apartamentos de luxo construídos há mais de 15 anos e situados em bairros da Zona A, como Alto da Boa Vista, Alto de Pinheiros e Brooklin Velho. O preço médio do metro quadrado passou de R$2.470,59 em agosto para R$3.752,64 em setembro, uma alta de 51,89%. A maior queda foi registrada no segmento de casas. O preço médio do metro quadrado de casas de padrão médio construídas entre oito e 15 anos em bairros da Zona E – Brasilândia, Cangaíba e Campo Limpo, entre outros – baixou 18,37%. Era R$1.469,96 em agosto e passou a R$1.200 em setembro.
A maioria das vendas feitas em setembro foi à vista – elas representaram 56,12% do total. A Caixa Econômica Federal (CEF) financiou 40,82% das casas e apartamentos vendidos na Capital enquanto que todos os demais bancos juntos responderam por apenas 2,04% dos empréstimos concedidos aos compradores.
Monopólio da CEF
"É quase um monopólio da Caixa, uma evidência mais do que concreta de que os bancos privados, especialmente, estão desperdiçando uma grande oportunidade de conquistar clientes fiéis", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP. "Se a CEF age por pressão política do governo federal para aumentar os financiamentos imobiliários, sem discriminar os imóveis usados, os demais bancos deveriam fazer o mesmo por puro recurso de marketing e visão estratégica”, diz.
Isso porque, segundo Viana Neto, "nenhuma outra operação bancária torna o cliente mais fiel ao banco do que a concessão de um empréstimo para a compra da casa própria, especialmente se é concedida em condições que respeitam sua capacidade de pagamento, o que em muitos casos exige financiamento de 100% do valor do imóvel".
As pesquisas do Creci-SP mostram que nos nove meses transcorridos de janeiro até setembro, somente em um mês o financiamento concedido pelos outros bancos superou os dois dígitos – foi em maio, quando atingiu 11,46%. Nos demais meses, oscilou entre 0,97% e 7,45%. Nesse mesmo período, os financiamentos da CEF variaram do mínimo de 22,5% (janeiro) ao máximo de 46,60% (julho).
Consórcios, desempenho fraco
Na pesquisa de setembro, apenas 1,02% das vendas foi feito por meio dessa modalidade de crédito. "E foi um desempenho até bom diante dos resultados mais recentes", comenta Viana Neto, acrescentando que "o consórcio é quase uma miragem no mercado de imóveis usados".
Seu argumento é sustentado pelos resultados da pesquisa CRECI-SP: este ano – não se registrou nenhuma venda feita por consórcio em janeiro, março e julho. Os dois melhores meses foram fevereiro (6,73% do total de vendas) e abril (3,19%). "Com esse desempenho, o consórcio parece ser mesmo aquela opção que se usa em último caso, ou quando já se tem a casa própria e se deseja um segundo imóvel, especialmente na praia", avalia o presidente do Creci-SP.
Locação residencial tem queda de 32,95% na Capital
O número de imóveis residenciais alugados na Capital em setembro foi 32,95% menor que o de agosto segundo a pesquisa feita pelo CRECI-SP com 416 imobiliárias. Elas alugaram 624 imóveis, o que fez o índice de locação baixar de 2,2371 em agosto para 1,5000 em setembro. Alugaram-se mais apartamentos (51,12%) do que casas (48,88%).
Os imóveis mais alugados foram os de locação mensal entre R$401 e R$600, com 2 3,62% dos novos contratos. A maioria dos aluguéis baixou – 13 tipos de imóveis em 25 dos quais se obtiveram valores médios de locação. A maior baixa, de 29,69%, foi registrada com apartamentos de três dormitórios em bairros da Zona D, onde o aluguel médio caiu de R$1.280 em agosto para R$900 em setembro. O maior aumento foi de 39,03%, envolvendo casas de dois dormitórios em bairros da Zona C – o aluguel subiu de R$527,27 em agosto para R$733,08 em setembro.

