Dispositivos

Vídeo-chamadas são a próxima fronteira

Desenvolvedores se apressam para lançar suas soluções no mercado brasileiro, por considerarem que o momento é agora. O principal motivador é o avanço da tecnologia 3G, que já atinge sua maturidade por aqui.

No período de apenas uma semana, duas empresas anunciaram ao mercado o lançamento de suas plataformas para viabilizar a realização de vídeo-chamadas pelo celular: a argentina ATS e a norte-americana Global IP Solutions (GIPS). Essa movimentação indica que os players acreditam que o País atingiu a maturidade para adotar esse tipo de solução. “Agora que a rede 3G acaba de ser implantada e consolidada no País, chegou o momento de desenvolver serviços encima dela”, conta Marco Aurélio Barbosa, gerente de vendas da ATS. De acordo com uma recente pesquisa do NSR, os serviços de TV e vídeo móveis devem alcançar 566 milhões até 2013.
 

“O VoIP Móvel está cada vez mais se tornando um serviço importante para os usuários que procuram maximizar o valor recebido através de seus celulares”, afirma William Stofega, gerente de pesquisas da área de Programa de Serviços VoIP da IDC. “Com as video-chamadas, as operadoras movies podem agora entregar os benefícios e inovações completos da comunicação IP, permitindo que elas ofereçam mais serviços de valor adicionado para seus clientes enquanto aumentam suas margens de lucro”, completa.
Segundo Barbosa, a tecnologia não deve substituir as chamadas convencionais no futuro, mas tem um imenso potencial para o acesso a serviços. Como exemplo, ele cita o vídeo-contact center (onde o cliente consegue ver o operador, além de falar com ele), o vídeo-marketing (os usuários conseguem ver vídeos de propaganda no celular) e até mesmo o acionamento de serviços como os de segurança. “Através de uma vídeo-chamada a pessoa pode acessar as câmeras de segurança de sua casa e ver o que está se passando por lá, inclusive movimentando os equipamentos pelo teclado do celular”, explica.
 

A empresa tem focado sua oferta nas operadoras móveis, seguida pelas empresas de mídia e pelo setor financeiro. Semana passada a ATS realizou no Rio de Janeiro uma apresentação do produto para as operadoras. “O evento foi um sucesso. Percebemos que as operadoras estão em um momento de avaliação de serviços encima do 3G. Antes os investimentos estavam sendo feitos em infra-estrutura, e agora é o momento oportuno para explorá-la”, diz Barbosa. Ele acredita que o que aconteceu com a voz vai acontecer com o vídeo nos próximos anos no Brasil, ou seja, que nos próximos três a cinco anos os investimentos na nova tecnologia serão tão grandes quanto os realizados em voz há 20 anos. O executivo revela ainda a existência de duas operadoras muito interessadas e já prevendo isso no orçamento de 2009: “temos um planejamento de estar rodando dois testes já no começo do ano que vem”.

Os produtos
 

A solução da ATS, desenvolvida em parceria com a Dialogic, é uma plataforma composta por hardware e software que faz o desenvolvimento dos serviços e a interação com a rede para que o vídeo chegue no padrão adequado ao 3G. “O diferencial de nossa solução é que qualquer programador web pode criar um serviço. A ferramenta facilita a criação de maneira ágil e rápida, numa linguagem idêntica à dos sites de Internet”, comenta o gerente.
 

Já a solução da GIPS, chamada VideoEngine Mobile, foi anunciada esta semana no exterior, mas deve ganhar destaque por aqui durante a participação da empresa no evento Futurecom. A solução viabiliza video-chamadas peer-to-peer e videoconferências multi-ponto em telefones móveis. “Os usuários de celulares de hoje demandam o melhor em qualidade e funcionalidades ricas. É por isso que atualmente existe uma oportunidade enorme para desenvolvedores de aplicações e operadoras móveis de oferecerem chamadas com vídeo em tempo real para as massas”, diz Emerick Woods, CEO da GIPS. Atualmente a ferramenta trabalha com o sistema operacional Windows Mobile, mas a empresa já trabalha com versões para outras plataformas, como o Symbian.

 

 

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