Para Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, crescimento da oferta de banda larga móvel e oportunidades para esse mercado têm feito a tecnologia passar a ser vista com bons olhos. No entanto, o executivo afirma que é impossível prever quando a oferta de acesso compensará a perda de receita com voz.
O crescimento da oferta de acesso à internet em banda larga por parte das operadoras móveis no Brasil e em todo o mundo tem mudado a visão das mesmas sobre tecnologias e oportunidades. Entre elas está o VoIP, que cada vez mais passa da posição de concorrente para a de aliado.
“É impossível prever quando, mas a oferta de acesso por parte das operadoras móveis tende a crescer cada vez mais, chegando um momento onde ela irá compensar a perda de receita de voz para o VoIP”, disse Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, durante a apresentação da oitava edição da pesquisa Barômetro da Banda Larga.
O executivo explica que até recentemente, as operadoras tentavam barrar a voz sobre IP usando recursos como bloqueio dos aparelhos, que eram subsidiados. Além disso, havia como inibidor a própria qualidade do acesso via celular, que tornava a usabilidade ruim, e o empacotamento de dados, que era diferente da banda larga fixa. “Com a diminuição da prática do subsídio de aparelhos e a oferta de acesso 2,5G e 3G, esses obstáculos estão deixando de existir”, explica.
Assim, Ripper acredita que o futuro das operadoras móveis estará na oferta de pacotes mais abrangentes, no estilo “all you can eat” (tudo o que você pode comer), já existentes nos Estados Unidos. Dentro dessas ofertas, o usuário paga um pacote mensal e tem direito a usar seus créditos como quiser, seja para falar no telefone, acessar a internet e até mesmo realizar chamadas VoIP. No entanto, o executivo faz votos de que essa tendência ainda demore um pouco para chegar ao Brasil. “Se isso vier muito rápido para cá pode prejudicar a proliferação de ofertas de banda larga no País, desacelerando a penetração desta tecnologia”, avalia.
IPTV
Comentando o surgimento das primeiras iniciativas de IPTV no Brasil, Pedro Ripper disse que, enquanto não houver um ajuste da legislação do setor, que proíbe as operadoras de oferecerem uma transmissão de TV completa, a tecnologia não deve emplacar. “As ofertas baseadas somente em video on demand não se sustentam”, afirma.
No entanto, ele acredita que este ano pode trazer boas perspectivas para esse tipo de serviços. Em primeiro lugar, o executivo acha que poderá haver um amadurecimento por parte das autoridades na discussão sobre a questão regulatória. Em segundo lugar, Ripper vê no próprio advento da TV Digital no País uma oportunidade para o mercado de IPTV.
“Muitos dos consumidores esse ano comprarão adaptadores. Estes aparelhos podem já vir com a funcionalidade de IPTV, e a Cisco aposta muito nisso. Esse foi um modelo que funcionou muito bem no Reino Unido. Caso seja adotado aqui, poderá fazer a TV por internet ter um impacto grande já em 2008”, conclui.

