Segurança

Vulnerabilidades do Word e Excel persistem com desafio de cibersegurança

(Crédito: iStock)

Mesmo as vulnerabilidades mais antigas se mantém como problemas de segurança apesar de já apresentarem correções

Pesquisadores da Check Point Research dissecaram antigas vulnerabilidades que ainda representam riscos, pois continuam sendo ameaças ativas e exploradas por malwares como GuLoader, Agent Tesla, Formbook e até mesmo grupo Gamaredon APT que miram setores lucrativos como finanças, governo e saúde

A Check Point Research (CPR), divisão de Inteligência em Ameaças da Check Point Software, realizou uma análise detalhada sobre três vulnerabilidades (CVEs – Common Vulnerabilities and Exposures) antigas e conhecidas usadas em Microsoft Word e Microsoft Excel. A conclusão é de que essas ameaças continuam a representar riscos significativos. Isso inclui as vulnerabilidades CVE-2017-11882, CVE-2017-0199 e CVE-2018-0802, que ainda são efetivamente utilizadas em ciberataques, apesar de não serem vulnerabilidades de dia zero.

Essas vulnerabilidades têm desempenhado um papel fundamental na propagação de várias famílias de malwares. Por exemplo, o malware Dridex explorou o CVE-2017-0199 em 2017, enquanto os malwares GuLoader e Agent Tesla utilizaram a CVE-2017-11882 em anos subsequentes. Outro exemplo inclui o grupo Gamaredon APT explorando a CVE-2017-0199 em 2023. Esses ataques visam principalmente setores com alto potencial de lucro, como bancos, governo e saúde.

Apesar de serem conhecidos há vários anos, esses MalDocs, como são chamadas essas ciberameaças, frequentemente escapam das redes de segurança, pois empregam diversas técnicas para evitar detecção, incluindo criptografia, URLs peculiares e ofuscação de shellcode. Isso os torna particularmente desafiadores para sistemas de segurança automatizados os detectarem e neutralizarem, explica a CPR.

O uso de MalDocs aproveitando vulnerabilidades antigas tem sido notavelmente prevalente em setores nos quais há potencial significativo de exploração de dados e ganhos financeiros. Esses setores incluem:

  • Finanças/Bancos: Dados financeiros sensíveis tornam este setor um alvo principal para cibercriminosos. Os ataques de malware muitas vezes visam roubar credenciais, manipular transações ou obter acesso direto a recursos financeiros.
  • Órgãos Governamentais: Esses ataques geralmente se concentram na extração de informações confidenciais do estado, na interrupção de serviços públicos ou em espionagem.
  • Saúde: Com acesso a informações pessoais de saúde e infraestrutura crítica, este setor é vulnerável a ransomware e roubo de dados.

Truques para enganar sandboxes automatizadas

Apesar da idade dessas CVEs, os MalDocs evoluíram para burlar as defesas de segurança modernas, especialmente as sandboxes automatizadas, por meio de várias técnicas:

  • Ofuscação de Código Malicioso: Uso de técnicas como criptografia e codificação para ocultar a verdadeira natureza do código.
  • Uso de URLs e Nomes de Domínio com Aparência Legítima: Para evitar levantar suspeitas em sistemas automatizados.
  • Shellcode com Instruções de “Lixo”: Incluindo código ou comandos irrelevantes para enganar ferramentas de análise automatizadas.
  • Execução Baseada em Tempo: Algumas ações maliciosas são adiadas ou acionadas por interações específicas do usuário, que podem não ser replicadas em um ambiente de sandbox.
  • Modelos e Links Remotos Sem Extensões: Para tornar menos óbvio o que o site contatado revelará, complicando a detecção para soluções de segurança.
  • Truques de Formatação de Documentos: Como exigir que o usuário “habilite a edição” ou “habilite o conteúdo”, o que pode burlar algumas medidas de segurança automatizadas que não interagem com documentos como um usuário faria.
  • Incorporação de Cargas Maliciosas em Formatos de Arquivo Não Executáveis: Como documentos do Word ou Excel, que têm menos probabilidade de serem sinalizados como perigosos em comparação com arquivos executáveis.

Essas técnicas demonstram a adaptabilidade dos cibercriminosos diante das medidas avançadas de segurança cibernética. O uso de iscas bem elaboradas e táticas sofisticadas de evasão torna desafiador para os sistemas automatizados acompanharem, exigindo uma combinação de tecnologias de detecção avançadas e maior conscientização dos usuários para combater efetivamente essas ameaças.

A relevância contínua dessas vulnerabilidades antigas destaca a importância da vigilância em segurança cibernética. Para mitigar esses riscos, é essencial:

  • Manter sistemas operacionais e aplicativos atualizados.
  • Ter cautela com e-mails inesperados contendo links, especialmente de remetentes desconhecidos.
  • Reforçar a conscientização em segurança cibernética entre os funcionários.
  • Consultar especialistas em segurança para quaisquer dúvidas ou incertezas.

 

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