Respostas não satisfizeram o Euroconsumers, grupo de entidades de proteção ao consumidor do qual a PROTESTE faz parte.
Ontem (22/5) foi o dia em que Mark Zuckerberg foi sabatinado pelo parlamento da União Europeia, mais uma vez respondendo ao vazamento de dados privados dos usuários do Facebook no caso da Cambridge Analytica. Na ocasião, o CEO da rede social pediu desculpas pelo incidente e negou que haja algum tipo de censura ou ranqueamento de conteúdos políticos.
Como dados privados do Facebook foram usados a favor de Trump nas eleições de 2016?
Mais uma vez, Zuckerberg admitiu que o Facebook não havia tomado todas as precauções necessárias durante as eleições dos Estados Unidos e o plebiscito do Brexit. Ele afirmou que a prioridade da empresa agora é impedir qualquer tipo de interferência em eleições, “como os russos fizeram na corrida eleitoral dos Estados Unidos em 2016”. Ele incluiu as eleições do Brasil nesse esforço da companhia.
Apesar de seu pronunciamento, o grupo Euroconsumers, que reúne entidades de proteção ao consumidor da Europa e, exclusivamente, a PROTESTE do Brasil, não se deu por satisfeita. Para eles, os usuários afetados deveriam ser indenizados.
“Os consumidores devem sempre ter todo controle de seus próprios dados e seu uso e devem receber uma parte justa do valor obtido pelas empresas que usam seus dados. Quando os consumidores são enganados, eles devem ser indenizados”, diz o grupo em comunicado.
Ainda ontem, Nathalie Gazzaneo, gerente de Políticas Públicas e Privacidade do Facebook no Brasil, reiterou que dados de 443 mil usuários brasileiros foram potencialmente acessados pela Cambridge Analytica. Ela participou de um seminário sobre proteção de dados pessoais realizado no Congresso Nacional.
Segundo ela, um aplicativo que usava os dados pessoais dos usuários do Facebook vendeu as informações para a Cambridge Analytica em 2013, incluindo os de 84 brasileiros que baixaram o aplicativo e de amigos desses usuários. “O Facebook não vende dados pessoais, e nunca vendeu; nosso modelo de negócios é vender espaço para anunciantes”, disse. Conforme Nathalie, o Facebook informou todos usuários potencialmente afetados no caso.
Ela acrescentou que, em 2014, o Facebook restringiu o compartilhamento de dados de amigos do usuário e que agora outras medidas estão sendo tomadas, como a redução das informações que os aplicativos podem acessar e a simplificação do acesso às configurações de privacidade. Questionada pelo deputado Sandro Alex (PSD-PR), ela admitiu que 200 outros aplicativos que usam dados o Facebook foram suspensos e estão sendo investigados.
*Com informações da Agência Câmara Notícias.

