
A inteligência artificial deixou de ser uma aposta experimental para se tornar prioridade estratégica nas empresas. É o que revela uma nova pesquisa da Cisco, segundo a qual 65% dos CEOs no mundo acreditam que podem estar investindo menos do que o necessário em IA. Na América do Sul, incluindo o Brasil, esse percentual chega a 63%.
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O estudo mostra uma mudança significativa na percepção dos executivos sobre a tecnologia. Se há poucos anos a principal dúvida era sobre o potencial da IA para gerar resultados, agora a preocupação está relacionada à velocidade dos investimentos e à capacidade das organizações de acompanhar a transformação em curso.
De acordo com a pesquisa, 91% dos CEOs globalmente e 93% dos executivos sul-americanos afirmam estar mais otimistas em relação à inteligência artificial do que estavam há um ano. Além disso, 69% dos líderes mundiais e 73% dos sul-americanos consideram a adoção da IA essencial para a competitividade dos negócios.
IA deixa de ser experimento e passa a integrar a estratégia empresarial
Realizada com 2.500 CEOs de 23 países, a pesquisa mostra que as lideranças empresariais da América do Sul já tratam a inteligência artificial como parte central das operações corporativas.
Na avaliação dos executivos, a tecnologia deixou de ocupar um papel secundário voltado à inovação para assumir funções estratégicas ligadas à produtividade, automação de processos, tomada de decisões e crescimento dos negócios.
Segundo o levantamento, as empresas que conseguirem acelerar a adoção da IA tendem a conquistar vantagens competitivas mais rapidamente, enquanto organizações que demorarem a se adaptar podem perder espaço no mercado.
Humanos continuarão no comando
Apesar do avanço da inteligência artificial, os CEOs não acreditam em um cenário de substituição completa das pessoas pelas máquinas.
A pesquisa aponta que a implantação de agentes de IA está entre as três principais prioridades corporativas para 2026, mas a expectativa é que essas tecnologias atuem em conjunto com os profissionais.
Globalmente, 72% dos CEOs acreditam que, até 2030, os humanos continuarão supervisionando e controlando os sistemas de IA. Na América do Sul, esse percentual é de 71%.
Entre os principais motivos apontados pelos executivos estão a necessidade de garantir a segurança dos sistemas, manter a produtividade em equipes híbridas e lidar com questões éticas relacionadas à tomada de decisões automatizadas.
Infraestrutura, segurança e dados ainda limitam a expansão da IA
Embora o entusiasmo com a inteligência artificial esteja crescendo, o estudo mostra que a implementação em larga escala ainda enfrenta obstáculos importantes.
A principal preocupação está relacionada à infraestrutura tecnológica. Metade dos CEOs sul-americanos afirma temer que limitações de infraestrutura comprometam a capacidade de crescimento dos negócios. Globalmente, esse índice chega a 53%.
Como resultado, a modernização da infraestrutura foi apontada como a principal prioridade dos CEOs para 2026, à frente inclusive de iniciativas ligadas à capacitação de equipes.
Outro desafio está na segurança. Com a expansão dos agentes de IA e sistemas autônomos, a governança e o controle dessas tecnologias passaram a figurar entre as maiores preocupações dos executivos.
Os dados também aparecem como um dos principais gargalos para a evolução da inteligência artificial. Problemas relacionados à qualidade, acessibilidade e centralização das informações foram citados por 34% dos CEOs globais como a principal barreira para ampliar o uso da tecnologia. Na América do Sul, 25% dos líderes destacam essa dificuldade.
Conhecimento dos CEOs sobre IA avança
O estudo mostra ainda que a compreensão dos executivos sobre inteligência artificial evoluiu significativamente nos últimos 12 meses.
O percentual de CEOs que admitiam não ter conhecimento suficiente sobre IA para participar das discussões estratégicas caiu de 74% para 53% no mundo. Na América do Sul, a redução foi de 78% para 56%.
Também diminuiu o número de líderes que afirmavam não possuir informações suficientes para tomar decisões relacionadas à tecnologia. O índice caiu de 74% para 49% globalmente e de 76% para 46% na região sul-americana.
Para a Cisco, os resultados indicam que a fase de aprendizado está sendo superada, mas que o próximo desafio será construir a infraestrutura, os processos e os modelos de governança necessários para transformar o potencial da IA em resultados concretos para os negócios.
Realidade ainda está distante do discurso
Os resultados da pesquisa são reforçados pelo Índice de Prontidão para IA 2026 da Cisco, realizado com mais de 8 mil líderes de TI em todo o mundo.
O levantamento mostra que apenas 22% das organizações consideram suas redes preparadas para suportar cargas de trabalho de IA. Além disso, somente 31% afirmam estar prontas para proteger e controlar agentes de inteligência artificial, enquanto apenas 19% possuem dados totalmente centralizados e acessíveis para alimentar essas aplicações.
O cenário indica que, apesar do crescente entusiasmo dos CEOs, muitas empresas ainda precisam resolver desafios estruturais para capturar plenamente os benefícios da inteligência artificial.

