Os líderes de startups são os profissionais do setor de tecnologia mais pressionados psicologicamente, segundo o Panorama da Liderança Tech no Brasil 2023/2024, realizado pela edtech Strides Tech Community e a aceleradora Endeavor. As entrevistas com mais de um mil líderes do setor de tecnologia apontam que 94,1% dos fundadores de startups e scale-ups relataram ter vivido pelo menos uma condição adversa de saúde mental ao longo de sua jornada, com a ansiedade sendo a mais frequente (85,6%), seguida por burnout (37%), depressão (21%) e ataques de pânico (22%).
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A maior proporção dos líderes da área com burnout também foi registrada nas Startups (38,46%) e em contraponto às empresas de consultoria, onde não foi encontrado um número significativo de casos. Segundo o estudo, os sentimentos mais comuns da liderança na área são o de cansaço mental e/ou físico (18,33%), desânimo (13,15%) e dificuldade de concentração (10,36%). Apenas 12,35% das lideranças afirmam não sentir qualquer desafio relacionado à saúde mental.
Os líderes que não estão felizes no trabalho atualmente têm sentimentos de desânimo (22,94%) e cansaço mental e/ou físico (19,27%) mais frequentemente. Enquanto nos profissionais felizes não predomina nenhum dos sentimentos mencionados na pesquisa. Mais de 30% dos líderes da área fazem terapia e acreditam que esta é muito importante. Entretanto, a maioria, 42,99%, mesmo acreditando que é importante, não fazem terapia.
Problemas também incluem ascensão profissional
Além das dificuldades psicológicas, outro problema na área da tecnologia é a ascensão profissional. Dificuldades na comunicação, desconhecimento sobre os critérios de promoção e a ausência de posições disponíveis foram citadas como principais barreiras a promoções.
Outro problema é que 56,07% dos líderes afirmaram que estão fazendo um esforço para se adaptar a um novo momento do mercado de tecnologia, onde as demandas de trabalho permanecerem as mesmas, mas não há previsão para novas contratações, com consequente aumento de escopo sem aumento de remuneração.
Isso acaba aumentando o turnover no setor, sendo que os principais motivos relatados para a troca de emprego incluíram liderança despreparada (18,37%), salários ou benefícios inadequados (17,14%) e falta de desenvolvimento de carreira (16,73%). Do lado da liderança, 56,07% afirmaram que o tempo dedicado à empresa não é suficiente para executar suas atividades.
Os principais motivos pelo tempo de dedicação previsto ser insuficiente para realizar as tarefas são o excesso de reuniões (30,47%), os pedidos de trabalho não planejados (28,13%), a sobrecarga de trabalho devido a equipe ter menos pessoas que o necessário (18,75%) e sobrecarga por estar fazendo mais atribuições do que o previsto para o escopo do cargo (13,28%).
Onde há excesso de reuniões, pedidos de trabalhos imprevistos e sobrecarga por excesso de atribuições fora do escopo do cargo, também temos entre 47% e 68% de líderes que consideram trocar de empresa no curto prazo. Apenas 35,29% dos líderes que realizam mais atribuições do que o previsto no escopo do cargo afirmaram estarem felizes no trabalho.
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