Relatório do governo americano lança dúvidas sobre se hackers podem usar serviço oferecido durante voo para derrubar aeronaves.
O que parecia ser um novo serviço oferecido pelas companhias aéreas comerciais, com o intuito de satisfazer passageiros desejosos de permanecer conectados em altas altitudes, agora se tornou motivo de grande preocupação.
Um relatório do governo americano concluiu que permitir o acesso à internet em pleno voo pode terminar abrindo uma porta para ataques terroristas. Segundo o estudo, realizado pelo Escritório de Prestação de Contas (GAO, na sigla em inglês) e publicado no jornal britânico The Guardian, um hacker viajando como passageiro poderia teoricamente derrubar um avião.
No sábado passado, um especialista em segurança americano foi proibido de embarcar em um voo da United Airlines do Colorado para San Francisco porque tuitou que seria capaz de invadir os computadores da aeronave.
Em sua conta na rede social, Chris Roberts afirmou que poderia fazer cair as máscaras de oxigênio a bordo. Apesar da proibição, a United informou que confia em seus sistemas de controle de voo. “Temos certeza de que eles não poderiam ser acessados pelas técnicas descritas (por Roberts).”
Questionada, então, sobre por que impediu Roberts de embarcar, a companhia aérea afirmou ter tomado a decisão “porque ele (Roberts) fez comentários sobre ter adulterado o equipamento da aeronave, que é uma violação da política da United e algo com que nossos clientes e tripulantes não têm de lidar”.
Na quarta-feira anterior ao episódio, Roberts já havia sido retirado de outro voo da United pelo FBI, a polícia federal americana, que confiscou seu laptop e o interrogou por quatro horas.
Desafio de segurança
Especialistas em segurança confirmam que a ação de um hacker pode derrubar um avião, mas não se trata de uma tarefa fácil.
“Os aviões modernos estão incrementando sua capacidade de conexão à internet. Esta conectividade pode potencialmente permitir acesso remoto aos sistemas de voo da aeronave”, diz o relatório da GAO.
Na opinião do órgão do governo americano, os esforços da Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) e das companhias aéreas em modernizar a tecnologia a bordo representa uma vulnerabilidade que pode ser explorada “para o mal”.
O problema, de acordo com o relatório, é que a cabine dos pilotos e o restante do avião estão ligados à internet por meio da mesma rede.
E, apesar de a conexão entre o sistema de acesso dos passageiros e o sistema do avião se encontrar monitorada por firewalls (programas que bloqueiam o acesso a uma rede de desconhecidos), os analistas dizem que ambos não podem ser considerados “impenetráveis”.
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“De acordo com especialistas em segurança cibernética ouvidos para este relatório, a conexão à internet na cabine deve ser considerada como um vínculo direto entre a aeronave e o mundo exterior, o qual inclui potenciais atores malignos”, diz o relatório.

