Pesquisas

Acessos a domicílios ultrapassam os de lan houses

Além disso, pesquisa organizada pelo Cetic.br também apresenta que houve 8% de crescimento na aquisição de PCs domésticos.

O estudo TIC domicílios 2009, realizado pelo Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (Cetic.br), que faz parte do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e apresentado nesta terça-feira (6), aponta que 48% dos acessos ocorrem nos domicílios, o que representa maior crescimento nos últimos cinco anos. A pesquisa, que está em sua quinta edição, foi realizada em 2009 com aproximadamente 22 mil entrevistados brasileiros, tanto na área rural como a população urbana.
 
De acordo com a amostragem, os acessos em lan houses decaíram, passando de 48% em 2008 para 45% em 2009. A pesquisa também mostra que na área rural, a procura por telecentros (6%) é maior do que em outras regiões do País.
 
“O papel desempenhado pelos centros de acesso no Brasil, tanto pagos como gratuitos, continua sendo de extrema importância para a inclusão digital, principalmente na área rural”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br (Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e Comunicação).
 
O levantamento revela que a região onde possui a maior taxa média anual de crescimento de posse de computadores em casa é o norte do Brasil. Apesar de que, em 2009, apenas 23% dos habitantes desses estados tinham um PC em casa.
 
Se comparado com a região sudeste, o dado de pessoas que possuem computador em casa passa para 45%, porém a taxa anual de crescimento dessa região é a mais baixa, com 22%. “Isso significa que há grandes oportunidades de mercado na região norte do País.
 
O índice de acesso dos usuários traz dados bem diferentes em relação à aquisição de PCs, como explica Juliano Cappi, analista de informações do Cetic.br. “Comprovamos que muitas pessoas que têm o computador não necessariamente acessam à internet”. A taxa média de crescimento anual de navegação no nordeste foi de 20% e no centro-oeste 48%, durante 2009. “Nesse caso, estamos falando de regiões urbanas, com usos no trabalho, em casa, telecentros ou lan houses”, explica.
 
Por fim, o estudo revela que, atualmente, aproximadamente 50% dos lares brasileiros da classe A possuem um notebook ou outro tipo de computador portátil. Já a penetração desse tipo de produto na classe C foi de apenas 3% em 2009. “Certamente há uma tendência à mobilidade, mas ela é limitada pelo fator econômico”, completa Cappi.
 
Telefonia celular versus telefonia fixa
Para o Cetic.br é possível afirmar que o celular ainda é a mídia de maior penetração na população brasileira. Os dados mostram que 59% dos brasileiros possuem um aparelho de telefonia móvel. Contudo, a grande maioria ainda é adepta a planos pré-pagos. “Os 90% da população que escolhe o serviço pré-pago procura ter controle sobre o que pode gastar naquele momento, mesmo que o custo do minuto seja muito mais caro”, explica Julianno Cappi.
 
Para o analista, a escolha pelo pré-pago se dá por conta do alto valor da tarifa no outro modelo de plano. “Esse ponto ainda é um grande entrave para o aumento da clientela pós-paga e até do uso de transferência de dados, pois o usuário não tem condições de ter esse serviço pelo valor que é exigido atualmente”, completa, se referindo ao índice de 6% dos usuários que utilizam o celular para acessar a internet.
 
Cappi ressalta que a aquisição dos serviços de telefonia fixa teve um crescimento surpreendente, se comparado a 2008. “Vínhamos de uma tendência em que o móvel iria substituir o fixo até em casa. Mas só no sudeste, a telefonia fixa tem 58% de assinantes, comparada a 51% em 2008”, comenta. Para ele, isso se deve provavelmente ao investimento em campanhas publicitárias por parte das operadoras fixas. “Elas aproveitaram que as companhias estão cobrando caro pelo minuto da telefonia móvel e, com isso, lançaram vários planos mercadológicos para conquistar o consumidor”. Outra hipótese discutida pelo analista são os serviços “combos” de telefonia VoIP que saem mais baratos se adquiridos junto aos canais pagos.
 
Durante a apresentação do levantamento, o secretário do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, disse, por videoconferência, que esses dados mostram que os estímulos oferecidos pelo governo para a classe C, como a redução de IPI e de impostos, se mostraram eficientes. Além disso, “os índices atestam a necessidade da aprovação do plano nacional de banda larga no Brasil para atender, principalmente, o norte e o nordeste”, alfineta.

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