Economia Digital

Agentes de IA devem redefinir a próxima fronteira do varejo, projeta Nuvei

A ascensão dos agentes de inteligência artificial (IA) deve redefinir a forma como transações são executadas no varejo. É o que projeta a Nuvei, fintech canadense de tecnologia de pagamentos, que aponta o chamado agentic commerce como uma das principais transformações estruturais do setor já para os próximos três anos. Segundo a empresa, a evolução da IA não impactará apenas a experiência do consumidor, mas exigirá uma nova geração de infraestrutura capaz de sustentar transações conduzidas por sistemas autônomos.

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Ao invés de simplesmente digitar termos de busca e navegar por páginas, o consumidor passa a delegar decisões a um agente digital que entende orçamento, prazo de entrega, padrões de consumo e até restrições pessoais. A jornada de compra, antes linear, agora é mediada por algoritmos capazes de operar em múltiplas plataformas simultaneamente. Na avaliação da Nuvei, essa transformação representa uma virada na lógica tradicional do comércio eletrônico.

Segundo a empresa, o processo de compra passa de recomendações mais inteligentes para sistemas capazes de executar transações com total autonomia. Essa mudança exige que a infraestrutura de pagamentos evolua para autenticar, autorizar e liquidar operações iniciadas por agentes digitais com o mesmo nível de segurança e confiança das transações humanas.

A tendência já aparece nas projeções globais. Estudo recente da Accenture indica que 57% dos executivos do setor financeiro acreditam que pagamentos mediados por agentes de IA devem se tornar comuns até 2029, especialmente em ambientes corporativos e em fluxos recorrentes. Para a Nuvei, o dado reforça que a discussão deve ser prioridade nas empresas não para o futuro, mas para agora.

O maior desafio não está apenas na inteligência dos agentes, mas na capacidade da infraestrutura de acompanhar essa evolução. Desafios como transparência de dados, clareza de oferta e eficiência operacional tornam-se ainda mais críticos, porque o “cliente” inicial da transação pode ser um agente digital que compara condições em velocidade recorde.

A Nuvei projeta que os primeiros impactos devem ser percebidos em ambientes B2B, assinaturas e compras recorrentes, onde a automação já é parte da rotina operacional. Nesses casos, agentes poderão negociar condições, selecionar automaticamente o meio de pagamento mais eficiente e executar liquidações de forma contínua, reduzindo fricções e otimizando fluxo de caixa.

No Brasil, embora o conceito soe futurista para parte do mercado, a empresa avalia que o país reúne condições favoráveis para acelerar essa transição. A ampla adoção de smartphones, a maturidade em pagamentos instantâneos e a familiaridade crescente com ferramentas de IA criam um ambiente propício para experimentação e escala.

Na visão da Nuvei, organizações que começarem desde já a estruturar dados de produto, políticas de preço e sistemas de pagamento para interagir com agentes inteligentes estarão mais bem posicionadas em um cenário onde algoritmos passam a ser intermediários centrais das decisões de compra.

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