A Alloha Fibra, controladora da marca Giga+ Fibra, vem passando por uma mudança estratégica que privilegia a rentabilidade da operação em detrimento do crescimento acelerado da base de assinantes. Dados públicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que a operadora perdeu participação no mercado brasileiro de banda larga fixa ao longo dos últimos 12 meses. No mesmo período, segundo a própria companhia, foi conduzido um processo de adequação da carteira de clientes, com foco em relações comerciais mais sustentáveis.
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Segundo o Relatório de Monitoramento da Competição referente ao segundo trimestre de 2026, a participação da Giga+ Fibra caiu de 3,0% para 2,4% do mercado nacional entre o segundo trimestre de 2025 e igual período de 2026. No mesmo intervalo, a Brisanet ampliou sua participação para 2,8%, reduzindo a diferença entre as duas maiores prestadoras regionais do País.
Em nota ao Portal IPNews, a Alloha afirma que a redução da base faz parte de um reposicionamento estratégico. “A adequação da base de clientes da Giga+ Fibra, ao longo dos últimos meses, reflete o refinamento da estratégia comercial da companhia, que prioriza relações comerciais mais sustentáveis e um perfil de consumidores mais rentável e resiliente.”
Crescimento dá lugar à eficiência operacional
A estratégia marca uma mudança em relação ao ciclo de expansão vivido pela companhia nos últimos anos, impulsionado pela consolidação de provedores regionais. Se antes o foco estava na ampliação da participação de mercado, a empresa passou a priorizar indicadores como geração de caixa, rentabilidade e qualidade da receita.
Na prática, a estratégia passou a privilegiar a atração e retenção de clientes com maior potencial de geração de receita e permanência na base. O movimento também se refletiu nos indicadores financeiros da companhia. A Alloha informou ao mercado que seu ticket médio global (ARPU) encerrou o quarto trimestre de 2025 em R$ 110,80, alta de 2,2% em relação ao trimestre anterior.
Nos relatórios de resultados, a administração da companhia atribui esse avanço diretamente à estratégia de reestruturação da base de clientes. Segundo a empresa, a prioridade passou a ser a formação de “um perfil de cliente mais rentável e resiliente em detrimento de um crescimento puramente volumétrico”, reforçando a opção por privilegiar a qualidade da receita em vez da expansão acelerada do número de assinantes.
Anatel cita saneamento das bases entre os fatores do mercado
No Relatório de Monitoramento da Competição, a Anatel observa que o comportamento registrado entre as prestadoras regionais pode estar relacionado tanto ao processo de consolidação do setor quanto ao saneamento ou limpeza de bases de clientes inativos. A agência ressalta, entretanto, que a confirmação do impacto desses fatores dependerá da consolidação dos dados dos próximos trimestres.
A análise da agência reforça o cenário de reorganização vivido pelo mercado de banda larga fixa, no qual algumas operadoras vêm revisando suas bases de clientes e suas estratégias comerciais para aumentar a eficiência operacional e melhorar os indicadores financeiros.
Mercado continua liderado pelas prestadoras regionais
Apesar da redução da participação da Giga+ Fibra, as prestadoras de pequeno porte (PPPs) seguem como protagonistas da banda larga fixa no Brasil. Segundo a Anatel, elas respondem por 57,6% dos acessos do país, mantendo a liderança do segmento mesmo diante do avanço da consolidação do mercado.
No cenário competitivo, a estratégia da Alloha evidencia uma mudança de prioridades. Em vez de perseguir crescimento a qualquer custo, a companhia passou a privilegiar uma base de clientes mais rentável e resiliente. O avanço do ARPU para R$ 110,80 ao final de 2025, aliado ao reposicionamento comercial e à adequação da carteira de assinantes, reforça a estratégia anunciada pela empresa de priorizar a qualidade da receita e a sustentabilidade financeira da operação, ainda que isso implique uma redução temporária da participação de mercado.
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