Banda Larga

Pequenos provedores lideram mercado de banda larga fixa

O mercado brasileiro de telecomunicações manteve, no segundo trimestre de 2026, a trajetória de expansão da banda larga fixa e de fortalecimento das operadoras móveis virtuais (MVNOs). Os dados constam do Relatório de Monitoramento da Competição, elaborado pela Superintendência de Competição (SCP) da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aponta um setor caracterizado pela liderança dos provedores regionais na banda larga fixa, pela predominância da fibra óptica como tecnologia de acesso e pelo crescimento acelerado das MVNOs, especialmente em aplicações corporativas e de Internet das Coisas (IoT).

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Ao final do segundo trimestre, o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) contabilizava 55,4 milhões de acessos, consolidando a banda larga fixa como um dos mercados mais competitivos das telecomunicações brasileiras.

A principal característica do setor continua sendo a força das Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs). Em conjunto, os provedores regionais respondem por 57,6% dos acessos nacionais, enquanto as grandes operadoras concentram os 42,4% restantes. O resultado reforça uma transformação observada nos últimos anos, na qual os ISPs deixaram de ocupar nichos regionais para assumir protagonismo na expansão da conectividade, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.

Entre as grandes operadoras, a Claro permanece na liderança nacional, com participação de 19,5% do mercado, seguida pela Vivo, que ampliou sua presença de 14,2% para 15,1% em doze meses e registrou o maior crescimento líquido do trimestre. A NIO, sucessora da operação de fibra da Oi, manteve trajetória de retração durante seu processo de reestruturação, reduzindo sua participação para 6,2%.

No segmento dos provedores independentes, a Brisanet ampliou sua participação para 2,8%, mantendo quatro trimestres consecutivos de crescimento, enquanto a Giga Mais Fibra alcançou 2,4%. Entretanto, o maior destaque continua sendo o conjunto dos milhares de ISPs regionais, responsáveis por aproximadamente 54% das conexões de banda larga fixa do país.

O relatório também chama atenção para um fator que influencia a leitura dos indicadores setoriais: a subnotificação temporária de dados por parte das pequenas prestadoras. No encerramento do segundo trimestre, 8.940 empresas haviam enviado suas informações à Anatel, contra 9.661 registradas no trimestre anterior. Segundo a agência, esse comportamento é recorrente e tende a ser corrigido nos períodos seguintes, sem alterar a tendência estrutural do mercado.

A evolução tecnológica também confirma a consolidação da fibra óptica como principal infraestrutura de acesso. As conexões FTTH alcançaram 44,71 milhões, representando mais de 80% da base nacional de banda larga fixa. Em contrapartida, tecnologias legadas seguem perdendo espaço. As conexões por cabo coaxial recuaram para 7,76 milhões, os acessos via rádio caíram para 1,42 milhão e as redes baseadas em cabo metálico reduziram-se para apenas 590 mil acessos.

Outro movimento destacado pela Anatel é o crescimento da banda larga via satélites de órbita baixa (LEO). Os acessos praticamente dobraram em um ano, passando de 630 mil para 960 mil conexões, refletindo o avanço de soluções voltadas ao atendimento de áreas rurais, remotas e de difícil cobertura terrestre.

Além dos indicadores de mercado, o relatório apresenta a evolução da Meta Estratégica 08 da Anatel, que acompanha o Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), utilizado internacionalmente para medir o grau de concentração econômica.

No consolidado nacional, a banda larga fixa registrou HHI de 0,0690, desempenho significativamente inferior ao limite estabelecido pela agência, de 0,1500 até 2027. Sob essa ótica, o mercado brasileiro apresenta elevado nível de competição.

Entretanto, a análise detalhada revela uma realidade distinta quando observada sob a perspectiva municipal. A Anatel destaca que o indicador nacional mascara níveis elevados de concentração em milhares de mercados locais, especialmente nas cidades de pequeno porte.

Nos municípios com menos de 30 mil habitantes, o HHI mediano alcança 0,46, podendo atingir situações equivalentes ao monopólio em alguns casos. À medida que aumenta o porte populacional, a concentração diminui gradualmente, chegando a uma mediana de 0,18 nas cidades com mais de um milhão de habitantes.

Outro dado reforça esse cenário. Em 3.482 municípios brasileiros, os três principais operadores locais concentram entre 90% e 100% dos acessos de banda larga fixa, evidenciando que, embora o mercado nacional seja competitivo, ainda existem fortes estruturas oligopolistas em nível regional.

O relatório também registra um novo momento para as Operadoras Virtuais do Serviço Móvel Pessoal (MVNOs). O segmento alcançou 11,31 milhões de acessos autorizados no segundo trimestre de 2026, ante 10,57 milhões registrados no trimestre anterior e muito acima dos 1,4 milhão contabilizados em 2021.

A expansão confirma a consolidação do modelo de negócios das operadoras virtuais no mercado brasileiro, sustentado principalmente pela oferta de serviços corporativos, aplicações de Internet das Coisas (IoT), comunicação máquina a máquina (M2M) e estratégias convergentes desenvolvidas em parceria com provedores regionais de internet.

Entre as empresas autorizadas, a Datora lidera o mercado com 34,1% de participação, seguida pela Surf Telecom, com 30,3%. A Telecall foi a operadora que apresentou a maior evolução recente, elevando sua participação para 13,9%. Next Level, 1UCE e Vero completam o grupo das principais MVNOs em operação.

Diferentemente das operadoras móveis tradicionais, as MVNOs concentram sua atuação em nichos específicos de mercado. Além das aplicações de IoT e M2M para empresas, o modelo tem sido adotado por provedores regionais de banda larga para complementar seus portfólios com serviços móveis, oferecendo pacotes convergentes de fibra óptica e telefonia celular aos clientes.

Na avaliação do relatório, tanto o avanço da banda larga fixa quanto o crescimento das MVNOs refletem uma transformação estrutural do mercado brasileiro de telecomunicações. Enquanto os provedores regionais consolidam sua liderança na expansão da conectividade fixa, as operadoras virtuais ampliam sua relevância em segmentos de maior valor agregado, como IoT, serviços corporativos e ofertas convergentes, indicando que a competição tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada por novos modelos de negócio e pela crescente digitalização da economia.

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