
A decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX), que aplicou no fim de dezembro de 2025 direito antidumping definitivo sobre cabos de fibra óptica importados da China, voltou a mobilizar entidades do setor de telecomunicações. Em nota conjunta, a TelComp e a Abramulti reforçam preocupações já levantadas anteriormente sobre os efeitos da medida nos custos de infraestrutura e na expansão da conectividade no Brasil.
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As entidades, que acompanharam o processo ao longo do último semestre, reiteram que não defendem nem apoiam práticas de dumping. O posicionamento, segundo destacam, busca chamar a atenção para os impactos econômicos e sociais da elevação de custos de um insumo considerado estratégico, com efeitos diretos sobre a sustentabilidade de operadoras de pequeno porte e sobre a oferta de conectividade em regiões menos atendidas e para populações vulneráveis.
De acordo com avaliações preliminares citadas na nota, o preço final dos cabos de fibra óptica importados da China para pequenos prestadores de serviços de telecomunicações pode subir mais de 170%. Considerando a relevância desses produtos no mercado, esse aumento tende a pressionar também os preços dos cabos fabricados no Brasil e dos importados de outros países. A estimativa é que o preço de equilíbrio de todos os cabos de fibra óptica comercializados no país possa avançar cerca de 50%.
Para TelComp e Abramulti, esse cenário pode resultar na desaceleração da expansão da banda larga, especialmente em áreas com menor cobertura e entre consumidores de menor renda, ampliando o risco de aprofundamento do abismo digital. As entidades também alertam para a aplicação de medidas antidumping sobre a importação de fibras ópticas, o que pode intensificar ainda mais os impactos sobre o mercado de cabos.
Outro ponto destacado na nota diz respeito aos reflexos da medida sobre políticas públicas estruturantes do governo federal. Programas de conectividade em escolas, como o Aprender Conectado, e compromissos relacionados à infraestrutura do 5G podem ser afetados, com risco de redução no número de escolas atendidas e aumento significativo dos custos dos projetos.
Ao longo do processo, Abramulti e TelComp realizaram reuniões técnicas e institucionais com ministérios que integram o GECEX — entre eles o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Fazenda, o Ministério da Defesa, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério das Relações Exteriores — com o objetivo de apresentar dados, estimativas de impacto e contribuir para a avaliação do interesse público envolvido.
As entidades também ressaltam a atuação do Ministério das Comunicações, que, segundo a nota, trabalhou em conjunto com o setor para compreender os efeitos da medida antidumping e levar seu posicionamento técnico aos demais órgãos do governo, considerando os riscos para a conectividade, a inclusão digital e o cumprimento das metas governamentais.
Para TelComp e Abramulti, a aplicação de medidas antidumping sobre fibras e cabos de fibra óptica, ainda que em níveis reduzidos, tende a gerar efeitos sistêmicos relevantes sobre o setor de telecomunicações, os consumidores e políticas públicas consideradas estratégicas para o desenvolvimento digital do país.
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