Regulamentação

Brasil Telecom reclama de indefinição do WiMAX

Segundo o diretor de tecnologia, Marcelo Frasson, os investimentos estão acontecendo, mas com a demora da Anatel.

Há aproximadamente três anos, a Brasil Telecom já vem testando o formato de comunicação sobre IP em rede de banda larga sem fio. Os primeiros testes foram realizados em Brasília com o WiMAX fixo. Porém, com o mesmo sistema para telefonia móvel, o fato tornou-se uma pedra no caminho da empresa e, assim como seus concorrentes, há uma batalha árdua para que a tecnologia possa ser oferecida no país e os negócios comecem acontecer.

De acordo com Marcelo Frasson, Diretor Adjunto de Planejamento de  Infra-estrutura Tecnológica da Brasil Telecom, a empresa está tendo dois problemas com o WiMAX: o primeiro é o direito de comercializar os seus produtos, produzidos pela NEC e Alcatel-Lucent. “Ainda não conseguimos o licenciamento da Anatel para vendermos os nossos equipamentos. Estranhamente, até hoje, o órgão não liberou. Está tudo funcionando perfeitamente, mas não podemos comercializar porque não estamos certificados. E isso já dura a mais de 2 meses”.

O segundo é a já sabida suspensão do leilão de concessão. O motivo é que a Anatel criou uma cláusula de que as operadoras estariam impedidas de comprar as freqüências de banda larga móvel nas regiões em que atuam: “como temos permissão na região2 – SP (apenas corporativa), PR e RS – fica mais fácil investir em WiMAX, pelo simples motivo de que já temos instalado toda a infra-estrutura nos locais. Por isso entramos com a suspensão (junto com as outras operadoras). Agora o processo está parado e não sabemos quando entrará em vigor”, lamenta Frasson.

Frasson não revela quanto a Brasil Telecom investiu até aqui no WiMax. Por enquanto, segundo o executivo, os aportes acontecem na implementação do sistema, mas com os problemas da certificação e o processo de concessão estagnado, todos os produtos estão parados. “Esperamos um retorno sobre isso (instalação dos equipamentos), mas está tudo parado. Além disso, a compra do equipamento é condicionada ao fabricante conseguir a certificação. Enquanto isso não acontece, não conseguimos aumentar os gastos em tecnologia”.

Mesmo com as dificuldades, o diretor demonstra otimismo com os investimentos na tecnologia, “há uma demanda por cliente em banda larga e, pra gente, é muito importante ter o WiMAX como complemento do DSL.”

Quando acontecer a liberação da Anatel, a Brasil Telecom promete uma estratégia forte para as negociações na sua região e, segundo Marcelo Frasson, já está definido o tipo de cliente para a realização das propostas de venda. “Temos dois tipos de clientes, aquele que viaja o mundo inteiro e quer logo esse tipo de serviço e os que desconhecem os novos benefícios”. Enquanto isso não acontece, o diretor reclama da demora:  Nós temos o direito com o fixo e temos equipamentos adequados para a telefonia móvel em rede sem fio em banda larga, mas não podemos fazer nada.  Queremos mesmo é que saia logo a concessão do WiMAX”.

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