Pesquisas

Brasil tem apenas convergência comercial

Para consultor da Pezco, os serviços oferecidos de triple play não percorrem a mesma rede, e sim são sobrepostos.

Segundo Frederico Araujo Turolla, consultor sênior do instituto de pesquisas Pezco, os serviços oferecidos no Brasil como triple play não podem ser caracterizados como convergência tecnológica, com exceção do pacote da operadora Net. “O que existe são sobreposições de redes oferecendo diferentes serviços: voz, dados e vídeo”, afirma. Isso inclui o quadruple play (que acrescenta a mobilidade). Ainda de acordo com Turolla, a monopolização do mercado é o que impede que investimentos em infra-estrutura sejam realizados no País para que haja acesso à banda larga.

Para o executivo, o uso do triple play ou quadruple play também é baixo na Europa. Apenas 1% dos usuários têm Internet, telefonia fixa, tv e celular rodando pela mesma rede. Quando baixa para voz, dados e vídeo, o percentual é de 3%. No caso de Internet e telefonia rodando na mesma rede, o número sobe para 6%. “Se a penetração ainda é baixa na Europa, pensamos que o Brasil está muito mais longe de utilizar esses serviços convergentes”, diz.

O estudo “Concorrência, Convergência e Universalização no Setor de Telecomunicações no Brasil”, realizado pela Pezco e encomendado pela Telcomp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas), mostra como as concessionárias locais do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) não têm investido em outras redes (como a fibra ótica), coibindo a concorrência e, consequentemente, limitando avanços tecnológicos.
No começo deste mês a Telcomp já havia divulgado um estudo que mostra que os brasileiros pagam caro por pouco serviço. “Nos países desenvolvidos os usuários pagam o equivalente a algo entre R$ 1,8 a R$ 10,8 por 1 Mbps, enquanto por aqui pagamos a mesma quantidade de banda por valores entre R$ 40 e R$ 700,00 em cidades como Manaus”, afirma Turolla.

O estudo também destaca as estratégias das concessionárias STFC para controlar a última milha, que tendem a produzir efeitos não concorrenciais importantes, consolidando-se a a partir da onda de fusões e aquisições. Outro ponto é que as concessionárias dispõem de instrumentos adequados para investir em novas estruturas, mas não o fazem por não considerarem interessante investir em banda larga, o que reduziria os custos e aumentaria o acesso por parte da concorrência.

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