José Soares Gama Junior, gerente de projetos VoIP da Brasil Telecom, afirma que a ameaça do monopólio dos grandes players de banda larga fixa, que juntos somam 89% do mercado, não está restrita ao VoIP, chagando aos serviços que as operadoras móveis podem vir a oferecer com a entrada da 3G.
Durante apresentação realizada no evento Voice over IP Latina America 2008, José Soares Gama Júnior, gerente de projetos VoIP da Brasil Telecom, afirmou que a grande ameaça para as operadoras de telefonia fixa é a telefonia móvel, e não apenas o VoIP. O executivo destacou que as companhias devem se preparar mais para a mobilidade e a partir de então agregar novas tecnologias que permitam ao usuário ter liberdade de comunicação em vários pontos.
Gama Junior comentou que hoje as operadoras móveis vieram para atuar mais do que simplesmente na oferta de voz, elas agora podem ofertar dados. E com a entrada da 3G essas companhias ganharam fôlego para concorrer igualmente com os tradicionais players de banda larga fixa.
O fato que é as líderes já vêm tomando iniciativas para tentar enfraquecer a penetração das empresas de celulares nesse segmento. A Net Serviços, por exemplo, lançou recentemente o NetFone.Com, solução que agrega telefonia, Internet e promete qualidade digital na TV aberta, pelo preço de R$ 39,90, além de usar outro artifício que é disponibilizar rede Wi-Fi por meio da instalação de roteadores nas residências de seus clientes. Telefônica, Oi e Brasil Telecom reforçam o discurso de mais velocidade atrelada à qualidade e expansão da área de cobertura. No caso da BrT, a empresa fechou 2007 com 1,6 mi assinantes de banda larga presentes em 1564 localidades. A empresa briga por meio do seu serviço, Único, que integra no aparelho móvel acesso ao GSM e VoIP.
O gerente de projetos VoIP da BrT ressaltou que a partir do segundo semestre o discurso do WVoIP (VoIP em ambiente Wi-Fi) será disseminado ainda mais. “A tecnologia 3G veio com força total, tanto empresa quanto usuário serão beneficiados e isso trará grandes oportunidades para o WVoIP”.
Mas na contramão do discurso, o gerente de banda larga e voz da Net Serviços, Eduardo Guedes, fez questão de afirmar que a 3G não entra para concorrer, e sim complementar os serviços de Internet fixa. “Um cliente que possui banda larga em sua residência não deixará de tê-la porque adquiriu um pacote móvel, é muito provável que ele mantenha os dois”. E adicionou que “embora elas (operadoras celulares) pregam que podem chegar à velocidade de 1Mb, hoje na Net temos oferta de 8 Mbs, mas que não representa 5% da nossa base de clientes”. Para ele o custo elevado ainda é o grande vilão para a penetração da banda larga. Entretanto, questionado se haveria a possibilidade de Claro e Net firmarem parceria (já que são do mesmo grupo de acionistas) Guedes apenas informou que “sempre há uma possibilidade”.

