
Christian Gebara, atual presidente da Conexis, lembra que os serviços de vídeo representam 66% do consumo de telecom
Na abertura do Painel Telebrasil Summit 2023, que começou ontem (12/9) em Brasília (DF), o novo presidente da Conexis Brasil Digital, entidade que representa as operadoras, defendeu que as big techs paguem a conta de uso da infraestrutura de rede. Christian Gebara, que também é CEO da Vivo, afirmou que essas empresas não pagam pelo uso das redes, que exigem investimentos adicionais das empresas de telecomunicações.
Ele lembrou que os serviços de vídeo em 2022 representaram 66% do consumo das infraestruturas e devem chegar a 80% até 2028, sendo que apenas sete empresas globais concentram 52% do tráfego global da internet nas redes fixas e 62% nas redes móveis. “É improvável que as operadoras tenham recursos para fazer investimentos se as OTTs não pagarem pelo serviço de conectividade que usam delas. Respeitamos os atores da nova economia, mas é impossível enfrentar os novos tempos com as velhas regras”
José Félix, CEO da Claro, José Félix, também defende maior contribuição das big techs para dar maior sustentabilidade à infraestrutura de telecomunicações. Ele ressaltou que as big techs precisam remunerar o serviço prestado e apontou que há uma evidente distorção no mercado. “O Brasil não pode ficar fora desse movimento de sustentabilidade das teles, que é global. Promover um debate que enderece a sustentabilidade das redes, precisa estar na pauta do dia do país”, concluiu.
Reforma tributária
Gebara também criticou a Reforma Tributária, que ainda não foi debatida no Senado Federal. Para ele, o Brasil está longe de desfrutar dos benefícios da economia digital e ainda há muito por fazer para levar a digitalização a todos. “O setor de telecomunicações é um dos mais onerados, e o país precisa usar a Reforma Tributária para reduzir impostos para avançar na digitalização.”
Félix também ressaltou o avanço na Reforma Tributária, mas lamentou o fato de, nas propostas atuais da Reforma, o serviço de telecom não estar na lista de serviços essenciais. “Somos a infraestrutura básica da economia digital. É urgente simplificar a carga tributária do setor. Com menos impostos, teremos mais acesso da sociedade e do cidadão brasileiro”, afirmou.
Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, disse que é preciso ter uma cadeia de impostos mais equilibrada. “Mas, apesar disso, a mensagem é positiva, porque nós, como setor, entramos como serviços essenciais no ano passado quando tivemos redução, que foi positiva, do ICMS. Algumas das conversas que temos há anos no setor estão se consolidando”, acrescentou.
Ele destacou a necessidade de telecom ser serviço essencial na Reforma Tributária. “Cada indústria usa os nossos serviços, e o desenvolvimento digital do País depende disso; temos de ter um regime que considere isso”, disse.
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