Uso do certificado digital S/MIME pode ajudar para evitar ataques de BEC e outros tipos de phishing por e-mail
Segundo dados de uma pesquisa Avast, 55% dos participantes relataram ter sofrido ataques de phishing em 2021, contra 39% que fizeram esse tipo de denúncia em 2020, um aumento de 41% no período. A expectativa para 2022 é outro aumento, mas como o mercado pode se preparar para conter o phishing?
Uma tecnologia já disponível é o certificado digital S/MIME, que significa Secure/Multipurpose Internet Mail Extension, um padrão da indústria para assinatura e criptografia de e-mail suportado pela maioria dos clientes de e-mail corporativo. Dean Coclin, diretor sênior de Desenvolvimento de Negócios da DigiCert, explica que esse tipo de certificado permite que os usuários assinem e-mails digitalmente, garantindo a autenticidade do remetente.

Dean Coclin, diretor sênior de Desenvolvimento de Negócios da DigiCert (foto: divulgação).
Dessa forma, quem recebe o e-mail tem a certeza sobre quem é que enviou a mensagem, evitando os ataques de Business Email Compromise (BEC, comprometimento de e-mail comercial), como o sofrido recentemente pela Evernote. “Os certificados digitais S/MIME também podem ser usados para criptografar e-mails, protegendo a comunicação por e-mail contendo informações confidenciais da interceptação de dados”, lembra o especialista da DigiCert.
Coclin explica que a próxima etapa a ser considerada é o gerenciamento de certificados S/MIME dentro de uma organização. É preciso que medidas como essas sejam integradas ao sistema de e-mail, automatizando o certificado digital. “Isso reduz a carga sobre o suporte técnico de TI, garante a adesão às medidas de segurança preferidas ou à política corporativa e elimina quaisquer lacunas de provisionamento ou revogação que possam afetar a produtividade ou a segurança.”
Usuários também precisam ter responsabilidade
É preciso lembrar que os usuários, estejam eles usando seu e-mail pessoal ou corporativo, também tem sua parcela de responsabilidade e devem ter certeza de que seus dados estão seguros e protegidos e que podem confiar nas empresas com as quais interagem online. “Os indivíduos podem aumentar sua segurança digital pessoal vendo a si mesmos no ciberespaço e tomando medidas para melhorar seus hábitos de segurança cibernética.”
Algumas recomendações de Coclin são:
Desconfie sempre. Os especialistas costumam dizer que, acima de qualquer plataforma de segurança ou software de proteção, está o usuário. E geralmente é o usuário quem abre as portas para hackers que praticam ataques de phishing, clicando em links recebidos por mensageiros instantâneos ou abrindo anexos de e-mail que afirmam ser o que não são. Prestar atenção aos remetentes e garantir que sejam conhecidos e confiáveis é o primeiro passo para atestar a legitimidade de uma mensagem.
Evite preencher formulários ou enviar informações. Os e-mails de phishing não são apenas vetores de infecções ou intrusões no sistema, mas também podem ser usados para roubar dados pessoais e financeiros das vítimas. Assim, as mesmas recomendações dadas acima também são válidas para o preenchimento de cadastros ou solicitações de envio de informações, que só devem ser realizadas quando houver certeza de que o contato é legítimo. Na dúvida, procure os meios oficiais de suporte, como o site oficial ou telefones de atendimento, para validar a solicitação.
Cuidado com textos sensacionalistas e ofertas inacreditáveis demais. Temas como vacinas contra o coronavírus, informações alarmistas sobre o processo eleitoral ou revelações bombásticas sobre celebridades e políticos costumam ser armas comuns usadas por hackers em tentativas de phishing. O ideal é, ao invés de clicar em links de supostas notícias ou mesmo repassar informações desse tipo com antecedência, verificar se o que foi noticiado está correto por meio de sites renomados ou perfis oficiais. Ofertas incríveis, entrega gratuita de itens e até preços muito abaixo do normal também costumam ser armadilhas para roubo de dados pessoais ou bancários. Há grandes chances de você perder o dinheiro e também expor seus dados pessoais e bancários a criminosos, mas nunca receber o item.
Use autenticação de dois fatores e não repita senhas. Aqui, estamos falando de uma etapa posterior ao uso efetivo dos serviços, que pode receber uma camada extra de segurança que dificulta a invasão caso os dados sejam realmente obtidos por terceiros. A autenticação em duas etapas adiciona uma senha extra, além da original, que deve ser conhecida apenas pelo usuário e impede que terceiros acessem usando as credenciais originais. Além disso, boas práticas de uso de senhas envolvem o uso de sequências aleatórias e criadas aleatoriamente
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