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Conectividade, o primeiro passo para a agricultura 4.0

O agronegócio brasileiro está entre os grandes desafios e oportunidades das telecomunicações nos próximos anos. Desafios por conta das distâncias entre as propriedades e o grande contingente de pequenos e medidos proprietários. E oportunidades porque, além de responder por 30% do PIB (Produto Interno Bruto) do País, já reúne entre os grandes produtores uma forte adesão às máquinas conectadas.

 

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Durante webinar Enrich CALA, promovido pelo Portal Telesemana, em São Paulo, Eduardo Tude, do portal Teleco; Gregory Riorda, do Conectar Agro, e Paulo Humberto Govea, da TIM, debateram principalmente os desafios de tornar os serviços de telecomunicações uma oferta homogênea a todas as propriedades no campo.

Paulo Humberto Gouvea, head de soluções corporativas da TIM

Paulo Humberto Gouvea contou que a parceria da TIM com a vertical agro começou há quase quatro anos e ressaltou que o modelo convencional de telecomunicações não funciona neste setor, devido a ausência de densidade populacional. “É um desafio atender o maior setor da economia brasileira”, ressaltou. “Ao mesmo tempo, sabemos que conectividade gera eficiência e produtividade em todos os setores”.

O Conectar Agro foi fundado por um grupo de oito empresas com o intuito de ampliar a conectividade nos campos agrícolas. Essas empresas ofertam tecnologias, serviços e cobertura de telecomunicações para integrar o ecossistema da conectividade. Ontem, elas anunciaram a formatação de uma entidade de classe (associação) do Conectar Agro, na qual Gregory Riordan, executivo do Grupo CNH e um dos idealizadores do projeto, é o presidente.

“Hoje, 7 milhões de hectares estão cobertos pela rede 4G, o que promove a oferta de computação em nuvem para os negócios e a inclusão digital da população. Agora, com as redes de fibra e o 5G, temos a oportunidade de entregar a migração que está ocorrendo dos grandes centros para cidades menores”, destacou Paulo Gouvea.

Seguindo a linha sugerida por Gil Rosen, CMO da Amdocs, na palestra anterior, os três painelistas concordaram com a necessidade de desenho de uma oferta vertical, capaz de responder à necessidade da maioria dos clientes neste setor e, assim, tornar-se uma vertical estratégica para as telecomunicações.

Gregory Riordan | Presidente da Associação ConectarAgro

Riordan, da Conectar Agro, citou o exemplo de uma colheitadeira que hoje conta com mais de 40 componentes e gera dados estratégicos. “Conectividade é o primeiro passo para a agricultura 4.0 ou 5.0”, completou, ao mencionar uma eventual oferta de serviço de informação formatado a partir dos dados extraídos das máquinas e equipamentos do campo.

Sobre as oportunidades desbravadas pelo 5G, Riordan cita o 4G já atende aplicações básicas da agricultura digital, como a conexão de máquinas, a condução autônoma e a manutenção preditiva. Mas a nova rede tem potencial de gerar várias aplicações, sendo a mais visível a evolução das máquinas 100% autônomas, algo que demanda mais conectividade do que os atuais equipamentos semi-autônomos.

Na esteira da evolução, a agricultura de precisão e digitalização devem se tornar imprescindíveis para o futuro dos negócios no campo, segundo os executivos. Eles lembraram, no entanto, que o mercado não compra conectividade, ao lembra a importância de se estabelecer um ecossistema tecnológico, capaz de entregar aplicações prontas para o agronegócio.

Citando a fazenda 4G e 5G inaugurada há cerca de 30 dias na região Sul do Piauí, Paulo Humberto confirmou que o 4G atende plenamente as aplicações de agronegócio atuais. Mas ressaltou que novas soluções surgirão com o 5G, criando oportunidades para os provedores de serviços de telecomunicações. Como desafio, os executivos citaram a pulverização, tendo em vista que, segundo o IBGE, a 90% dos proprietários de terra possuem menos de 100 hectares, sendo considerados pequenos.

“Na somatória, estes pequenos agricultores fazem a pujança do agronegócio brasileiro. Porém, temos que atender que entregar tecnologia para os extremos – os grandes e digitalizados e os pequenos que ainda estão na era analógica. O desafio é democratizar a tecnologia para o pequeno produtor”, finalizou Riordan.

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