
Todos os dados da casa são capturados por ferramentas de analytics e podem ser acessados através de um aplicativo na Apple TV (foto: Venturus).
A Venturus, centro de inovação sem fins lucrativos, desenvolveu, há cerca de dois anos, a Casa do Futuro, um espaço para demonstração das tecnologias de Internet das Coisas (IoT) que o instituto vem desenvolvendo. Localizado em Campinas (SP), na sede da empresa, o ambiente conta com 20 protótipos de IoT, responsáveis desde o controle de temperatura e iluminação da casa quanto a música ambiente.
O diferencial da Casa do Futuro é que ela pretende fazer tudo sozinha. Marcelo Abreu, diretor de Inovação da Venturus, explica que funções como aumentar ou diminuir a temperatura do ar condicionado ainda são feitas através de um bot no aplicativo de mensagens Telegram, mas a intenção é que tecnologias de big data e analytics aprendam com o usuário para que o ambiente se adeque à preferência do morador.
O som e a iluminação, por exemplo, já acompanham o usuário. Através de sensores de presença espalhados pela casa, lâmpadas LED iluminam o cômodo onde a pessoa está automaticamente, assim como o som é executado em alto-falantes disponibilizados em cada parte da casa. “A música pode ser selecionada através do assistente de voz para smartphones que desenvolvemos, integrado à API do Spotify”, lembra Abreu.

Ao abrir a porta para sair, um display ao lado acende mostrando a agenda do dia, para o morador não se esquecer de compromissos ou tarefas (foto: Venturus).
O assistente de voz também pode ser utilizado para “conversar” com a casa. O executivo explica que, ao falar para a casa como se sente, ela proporcionará o ambiente adequado para aquele sentimento. Por exemplo, ao dizer que está triste, as luzes adquirem tons azuis e o som muda para uma música mais melódica. Caso diga que está com raiva, a iluminação se torna vermelha e uma música agressiva começa a tocar. “Decidimos seguir os padrões de cores utilizados na animação Divertida Mente, da Disney/Pixar”, explica. Para a casa “entender” os sentimentos do morador, há uma integração com o Watson da IBM.
A preferência por utilizar o assistente de voz e o Telegram ao invés de um ou mais aplicativos é justamente para acompanhar a tendência global. “O Gartner aponta que o mercado de apps deve começar a cair, já que as pessoas vão preferir não ter que abrir os aplicativos para fazer cada coisa”, afirma Abreu. “A integração de APIs para acesso por um assistente de voz é o futuro”, complementa, explicando que o uso do Telegram é apenas enquanto o assistente não se adequa a função. “Utilizamos ele porque é mais aberto que o WhatsApp.”

Um aplicativo de realidade aumentada, carregado previamente com a planta da casa, permite que o usuário veja a distribuição de canos e cabos elétricos nas paredes. Isso é útil quando se pensa em pequenas reformas ou mesmo para pregar a parede (foto: Venturus).
E por que desenvolver uma Casa do Futuro? Abreu diz que o ambiente serve para a demonstração de uso de inovação. “Do mesmo jeito que montamos uma casa, poderíamos montar uma loja ou fábrica. Fizemos está escolha por causa do impacto nos nossos clientes, que podem olhar para este espaço e imaginar novas oportunidades de negócio”, diz.
Um cliente da indústria química, por exemplo, já imaginou uma solução para trabalhar com a aromatização do ambiente, segundo o executivo. “Criamos esta casa para ser um ambiente de co-criação, por isso temos uma área de desenvolvimento ao lado da casa. Este espaço está aberto para empresas virem e criarem”, diz. Por enquanto, apenas soluções da Venturus funcionam na Casa do Futuro.

