Análise Setorial

Consumerização desafia departamentos de TI das empresas

Gestores de TI apontam questões como segurança, suporte e custos de aquisição como empecilhos para a adoção das tecnologias.

A Intel Corporation divulgou os primeiros resultados de uma pesquisa sobre o fenômeno que ficou conhecido como consumerização da TI. A consumerização é o fenômeno onde a incorporação de novas tecnologias ao ambiente de trabalho está sendo puxada pelos usuários, criando uma pressão sobre os gestores de TI. A pesquisa entrevistou tanto gestores quanto funcionários com alta afinidade com a tecnologia, de empresas nos Estados Unidos e Inglaterra, para descobrir quais são os efeitos da consumerização e como os gestores de TI devem lidar com eventuais conflitos.

A Consumerização acontece devido à rápida evolução e adoção das tecnologias de computação pessoal, o que está levando as pessoas, e não os departamentos de TI, a direcionar a adoção de novas tecnologias. Essas novas tecnologias estão aparecendo primeiro em equipamentos voltados para os consumidores, com uma evolução muito rápida, e sendo adotadas em larga escala por profissionais “antenados” com gadgets e novas tecnologias, como ferramentas de uso pessoal. Para estes profissionais, a tecnologia disponibilizada pela empresa deve ser equiparada à tecnologia que ele usa normalmente em sua casa. Quando isso não ocorre, estes profissionais começam a pressionar os departamentos de TI para ter a mesma agilidade e flexibilidade que eles possuem em casa. Isso coloca uma pressão nos gestores de TI para a adoção de novas tecnologias bem como na manutenção e na segurança das informações.

“Antigamente, tecnologias de ponta ou acesso a internet banda larga existiam apenas no âmbito corporativo. As empresas estavam na vanguarda e eram os grandes centros de introdução de novas tecnologias”, explica Maurício Ruiz, Diretor de Alianças para o Segmento Corporativo da Intel Brasil. “Hoje em dia, os avanços e adoção de tecnologias estão acontecendo com uma velocidade maior pelos consumidores, que adquirem computadores, telefones e serviços mais avançados do que os oferecidos pelo seu empregador”.

No estudo, a Intel investigou o impacto da consumerização nos departamentos de TI e no comportamento dos funcionários. Dividida em três etapas, a pesquisa acompanhou o dia-a-dia de funcionários e departamentos de TI para entender quão graves são os conflitos gerados pelo fenômeno e que efeitos eles geram na produtividade da empresa.

Frustração com tecnologias “datadas” gera desconforto entre os colaboradores

O fenômeno da consumerização é especialmente sentido por jovens trabalhadores que possuem amplo conhecimento de tecnologia (geração Y), mas com o avanço acelerado dos gadgets para uso pessoal, a consumerização ganha força. 53% dos trabalhadores entrevistados concordam que seria benéfico para a empresa se esta fornecesse ferramentas mais parecidas com as que eles possuem em suas casas. 61% dos entrevistados da Geração Y, e 50% dos funcionários com mais de 30 anos acreditam que as tecnologias que eles usam para suas necessidades pessoais são mais eficientes e produtivas do que as oferecidas pela empresa. 65% dos entrevistados garantiram que perdem pelo menos uma hora por semana de produtividade por conta de tecnologias defasadas.

O estudo identificou várias das necessidades destes funcionários, que estão cada vez mais guiando as empresas na adoção de novas tecnologias:

Reciprocidade: Com novas e mais eficientes tecnologias de comunicação, as empresas esperam que seus funcionários estejam acessíveis de qualquer lugar, a qualquer hora. Em troca, os funcionários esperam ter possibilidade de escolha sobre o local e o horário de trabalho, bem como acesso a tecnologias que o permitam trabalhar remoto de forma eficiente.

Adaptação: Os funcionários esperam que seus empregadores adaptem-se as suas preferências em questões como sistema operacional ou aplicações, ao invés de ficarem presos ao padrão de soluções estabelecido pela TI.

Velocidade e Acesso: Os trabalhadores não têm paciência para ambientes restritos. Eles querem acessar rapidamente a informação que eles necessitam, quando eles a necessitam. Eles esperam que a TI se preocupe com questões como segurança, mas sem limitar a capacidade de acesso a informação.

Relevância: Uma das questões mais importantes levantadas pelo estudo, os funcionários desejam antes de tudo ser tradados como “adultos”, sem proteções ou limitações excessivas. Eles também querem suas opiniões levadas em conta no momento de decidir sobre novas tecnologias, ou ao menos liberdade para selecionarem a plataforma que mais lhes agrada.

A frustração dos colaboradores com as ferramentas tecnológicas oferecidas no ambiente de trabalho também afetam a percepção que estes têm de seus respectivos departamentos de TI, que são identificados como rígidos (52%), sovinas (49%), conservadores (52%) e atrasados (45%). O resultado é um conflito interno entre funcionários e gestores de TI. O estudo também identificou que 14% dos entrevistados já abandonou um emprego por conta de políticas restritivas para o uso de novas tecnologias.

Gestores de TI: A Tecnologia disponível não é usada em todo o seu potencial

Do outro lado do conflito estão os gestores dos departamentos de TI, que possuem uma visão muito diferente das necessidades da empresa e das ferramentas oferecidas. Embora 65% dos gestores entrevistados concordam que é do âmbito da TI resolver o problema da consumerização, a maioria acredita que existem outros caminhos para a resolução do conflito. 53% dos gestores entrevistados acreditam que treinamentos adequados para o uso da tecnologia atual seriam mais eficiente do que a adoção de novas ferramentas, enquanto 36% creêm que a tecnologia atualmente disponibilizada não tem todo o seu potencial utilizado. Por outro lado, apenas 36% dos gestores acreditam que seu departamento de TI está satisfatoriamente atualizado com as mais avançadas tecnologias, e a grande maioria deles acredita que algumas das restrições impostas pela TI aos funcionários podem efetivamente diminuir a produtividade destes.

O cenário para o gestor de TI, entretanto, é bastante complexo. Quando consideram a adoção de novas tecnologias ou de políticas para facilitar o uso de tecnologias pessoais no trabalho, a TI identifica três barreiras principais:

Segurança: O obstáculo mais mencionado na pesquisa é a questão da segurança: expandir as opções em termos de dispositivos, serviços ou softwares podem abrir novas brechas na segurança de todo o sistema da companhia. O tipo e a sensitividade das informações dentro de uma determinada companhia irá determinar sua capacidade de atender aos desejos dos funcionários por maior liberdade de escolher sua ferramenta de trabalho.

Necessidade de suporte: Se os funcionários tiverem mais liberdade para escolher suas soluções, a necessidade de suporte vai aumentar exponencialmente. Por esta razão, a maioria dos departamentos de TI apenas libera o uso de algumas soluções “por sua conta e risco”, com o funcionários responsabilizando-se pela configuração e manutenção do dispositivo ou software fora dos padrões.

Custos: Manter o parque tecnológico atualizado com o desejo dos funcionários requer um aumento considerável no volume de renovações do equipamento e geraria custos proibitivos. O estudo levantou que a maioria das empresas realiza uma renovação do parque de máquinas uma vez a cada 3-5 anos.

Segurança, suporte e custos são preocupações que devem ser pesadas contra o custo de uma perda potencial de produtividade. Entretanto, o estudo levantou que praticamente nenhuma empresa realiza estudos sobre o impacto que as políticas de TI trazem para a produtividade. Como resultado, as discussões sobre a consumerização não são baseadas no retorno do investimento, mas sim nas dificuldades estabelecidas por estas três barreiras.

“A tendência de consumerização cria um novo cenário para os departamentos de TI. Para que possam endereçar esta nova tendência é necessário que eles possam ter mais tempo para avaliar novas tecnologias e se adaptar, reduzindo os conflitos com os funcionários e mantendo suas empresas atrativas para este nova geração de usuários”, conclui Mauricio Ruiz.

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