
*Por Ramiro Rodrigues
Os ciberataques e as exposições de dados abalaram a confiança no mercado brasileiro, mesmo com o aumento no investimento das empresas nacionais em cibersegurança. Até mesmo as maiores organizações mundiais já sofreram com ataques como abuso de acesso privilegiado e, com isso, 53% consideram o cenário de ataques virtuais muito avançado para a área interna de TI.
Um dos aspectos mais sensíveis da tecnologia é o controle do acesso privilegiado para evitar vazamentos de informação. Por meio das credenciais privilegiadas, é possível realizar mudanças significativas em dispositivos, infraestrutura, na nuvem e em aplicações, que afetam a continuidade do negócio. Quando utilizado de forma maliciosa, o impacto pode causar sérios danos, desde violações de itens de conformidade – que acarretam em pesadas sanções -, até incidentes de segurança, que resultam em redução de confiança e perda de receita.
Os perigos do erro humano na segurança da informação
A falha de segurança mais comum nas organizações é o compartilhamento de credenciais, em que as empresas oferecem acessos compartilhados entre alguns funcionários. Eles podem ser uma conta genérica na nuvem ou acesso a um repositório de dados. Cada novo membro da equipe com a informação apresenta outro ponto de vulnerabilidade na cadeia, o que complica o processo de localizar a origem de um possível vazamento.
Também é importante ter atenção ao deixar logins e senhas anotadas e de fácil acesso, usar senhas padrões e passíveis de engenharia social (12345, senha, nome da mãe etc), ou mesmo salvar as informações em documentos de acesso comum. As falhas de segurança são recorrentes e graves. Segundo o Instituto Ponemon (2018), 64% dos incidentes causados por credenciais de uma empresa aconteceram por negligência dos funcionários.
Por isso, é essencial educar constantemente a corporação e oferecer espaço para esclarecimento de dúvidas e discussões sobre o tema, especialmente em tempos de trabalho remoto. A gestão individual das credenciais é o primeiro passo para a boa gestão de privilégios.
Os riscos de acessos privilegiados expostos
Muitos vazamentos de credenciais privilegiadas ocorrem de forma proposital ou por ações de cibercriminosos e geralmente os cenários estão interligados. Hackers podem chantagear, ameaçar ou trabalhar em conjunto com colaboradores da empresa para conseguir o acesso privilegiado que o usuário possui.
Em 2021 foram criadas 43,3 milhões de credenciais corporativas no mundo, sendo pouco mais de 1 milhão de origem brasileira. Dos acessos, a Axur encontrou 470 mil credenciais com termos (como admin, manager, diretor, entre outros) que indicam algum tipo de privilégio. Com isso, lidar com essas ameaças é um desafio, pois mesmo com programas próprios para monitorar ataques de atores internos, o ataque por meio de acessos privilegiados sempre terá mais chances de burlar firewalls e passar indetectado. Por isso, é fundamental saber quais as contas que foram expostas em um vazamento e sua origem.
Ataques de ransomware, em que o hacker infecta o computador da vítima, acessa os dados criptografados, impede novos acessos e cobra para devolvê-los, são exemplos que descrevem invasões com essas características. O ciberataque começa com a definição do alvo, a partir das informações já disponíveis nas redes sociais e histórico de credenciais vazadas anteriormente. Via e-mail malicioso de funcionários de alto nível hierárquico, o criminoso distribui o malware para diversas outras pessoas e passa a acessar a rede da empresa.
Inteligência em credenciais privilegiadas
Outro ponto que merece atenção é o monitoramento de vazamentos e fraudes na internet, o processo de detectar credenciais expostas e ações de fraudadores, como sites de phishing, perfis falsos e outros golpes que usam a marca das empresas. A técnica pode ser feita de maneira manual, mas passará pelas dificuldades que a gestão de acessos privilegiados manual possui, somada à necessidade de desenvolver e treinar especialistas.
O monitoramento de ameaças é a maneira mais eficiente de agir preventivamente, principalmente quando realizada por meio de programas de gestão, que podem remover os conteúdos infratores relacionados à marca. Existem também ferramentas de ação consultiva, compostas por times de especialistas que oferecem inteligência cibernética para analisar ameaças mais difíceis. O serviço é um grande diferencial no auxílio ao time de TI a alcançar mais efetividade, precisão e agilidade na ação contra ameaças virtuais.
Por isso, a inteligência é fundamental para as empresas não terem somente posições reativas na gestão de ameaças. Com o monitoramento proativo, é possível saber de vazamentos e fraudes digitais com antecedência, além de maior capacidade de reação, para proteger os clientes e permitir agilidade na resposta de ação. *Ramiro Rodrigues é CISO GLobal na Axur.
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