Sistemas de câmeras IP são mais flexíveis e não exigem alto investimento na hora da expansão. Mas implementar um sistema dentro das empresas não é tarefa tão fácil como baixar um arquivo na web.
É raro ouvir que a instalação de câmeras IP é complexa. Basta fazer uma busca pela internet para encontrar tutoriais ensinando como qualquer pessoa pode instalar uma câmera IP no seu computador assim como baixa um programa na internet ou instala um software novo. Essa facilidade de instalação, entretanto, envolve muitas tomadas de decisão no ambiente corporativo. A principal delas trata-se da infra-estrutura de rede, cujo acesso deve suportar não só as aplicações corporativas e voz como também as pesadas imagens trafegadas pelo sistema de câmeras IP.
Estima-se que uma câmera IP consome de 1 Mbps a 5 Mbps. Ou seja, um ambiente com 10 câmeras pode demandar uma disponibilidade de até 500 Mbps. É por isso que os sistemas de câmeras IP ainda são avaliados com bastante cautela pelos gerentes responsáveis pela gestão das redes corporativas internas, conhecidas como LAN. Afinal haverá disponibilidade para trafegar dados, voz e imagens na rede atual ou é melhor criar uma rede própria para suportar o ambiente de câmeras IP?
Fernando Guerra, gerente de vendas da Crocket International, empresa que representa a Pelco no Brasil, explica que a vantagem de inserir os sistemas de câmeras IP nas redes corporativas que já trafegam dados e voz é o custo de manutenção e gestão, além da redundância. O Hospital Sírio Libanês adotou uma solução IP da Pelco com 300 câmeras, as quais foram conectadas na própria rede corporativa, segundo o executivo. A instituição de saúde é uma das exceções entre a maioria dos projetos de sistemas de câmeras IP.
Isso porque a maioria das redes corporativas não tem capacidade de suportar o tráfego de imagens das câmeras IP e, quando há tal disponibilidade, o receio de comprometer aplicações críticas é maior que a capacidade de gerenciar o dimensionamento de banda para cada mídia. A solução é criar uma nova infra-estrutura para suportar os sistemas de câmeras IP com switches gigabyts exclusivos para suportar o tráfego de imagens geradas no ambiente.
Flexibilidade
O desafio da banda, entretanto, não tem impedido o aumento de vendas das câmeras IP. Luis Sergio Correa, gerente da Panasonic, informa que a venda das câmeras IP já ultrapassou as analógicas neste ano. "O custo de instalação é menor, a resolução da imagem é bem melhor e ainda há flexibilidade de gestão com as câmeras IP", aponta Correa.
A Panasonic tem 20 modelos de câmeras IP no mercado brasileiro e no próximo ano prevê lançar câmeras móveis e com compressão H264 – algoritmo que permite maior compressão das imagens. "Quanto maior a compressão, a qualidade é melhor", ensina o executivo da Panasonic. Hoje a maioria das câmeras tem os algoritmos JPEG ou MPEG4.
Guerra informa que a Crockett triplicou as vendas de câmeras entre os anos de 2003 e 2007, quando chegaram as câmeras IP no mercado. "Neste último ano, as vendas dobraram em função das câmeras IP", comemora. O executivo não informa números, mas antecipa que a meta é dobrar a receita em 2009. "O boom das vendas das câmeras IP acontece desde ano passado", comenta. Motivo?
As câmeras IP podem custar até 30% a mais que as analógicas, mas a manutenção e expansão do sistema custam muito menos porque eliminam os gastos com a instalação de cabos coaxiais. Afinal, as câmeras IP são instaladas na própria rede corporativa por meio dos switches, enquanto o sistema analógico exige uma interligação via cabos entre as câmeras. "A principal diferença entre o analógico e o IP é que as câmeras IP permitem uma infra-estrutura descentralizada", observa Guerra. Ele explica que a câmera IP passa ser um computador na rede e para expansão basta espetar mais uma câmera no switch, enquanto o sistema analógico exige o cabeamento e uma nova arquitetura caso a empresa não tenha previsto a expansão antecipadamente.

