Há histórias fascinantes e a história do dinheiro no Brasil é, sem dúvida, uma delas. Imagine que há milhares de anos, não havia moeda e hoje é possível fazer pagamentos com bitcoin sem a necessidade de recorrer a uma entidade bancária. Desde a época da colonização onde o açúcar era muito importante e o real brasileiro era uma miragem até aos pagamentos eletrónicos, o país sofreu muitas transformações no seu sistema financeiro.
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Sabia que nos séculos XVII o açúcar tinha um papel tão importante no Brasil que era a nossa moeda? Sabia também que hoje pode fazer pagamentos apenas através de um clique? Como é que esta evolução ocorreu? Como é que existe um gráfico bitcoin hoje e uma moeda digital e há 40 anos não havia sequer celulares com acesso à internet? É exatamente isso que vamos abordar neste artigo explorando a história do dinheiro no Brasil, desde a colonização até aos dias de hoje.
Como tudo começou?
Tudo começou no período colonial, onde todo o comércio era controlado pelos portugueses. Aqui o Brasil não era detentor de um sistema monetário porque estávamos à mercê de moedas estrangeiras trazidas de Portugal e sabe-se lá de que outras nações europeias. O Brasil foi descoberto em 1500 e só em 1694 foi fundada a Casa da Moeda do Brasil, pelo que, neste período não havia qualquer controle sobre o valor das moedas e a estabilidade financeira do país era igual a 0.
Mesmo com a partir de 1694 a estabilidade não era muita. Esta casa foi criada pelos governantes portugueses para dar uma utilidade ao ouro que era extraído do Brasil e como tal, eram fabricadas moedas de outro. O que é que isto significa? Que o objetivo era dar uso ao ouro e não criar um mercado financeiro estável, mas isso mudou em 1822.
A independência do Brasil
Durante o período da Independência do Brasil, ocorrida em 1822, houve uma significativa mudança no sistema monetário e no comércio do país. Tornou-se evidente a necessidade de estabelecer uma moeda nacional e, em 1834, foi introduzida a primeira moeda brasileira oficial. A moeda introduzida é a moeda que conhecemos e usamos hoje – o real, ou réis.
Foi aqui que o Brasil se começou a ser uma nação mais competitiva, coisa que até então lhe fora negado. O período da Independência trouxe um aumento no comércio internacional, pois o Brasil expandiu suas exportações de produtos como café, açúcar e borracha beneficiando assim o comércio e as transações comerciais internas e externas do país.
A inflação e a mudança de moedas
Após a proclamação da República em 1889 muitas mudanças ocorreram no Brasil e a criação do Banco do Brasil em 1905 foi uma delas assumindo assim um papel central como banco emissor e regulador da política monetária. Contudo, nas décadas de 80 e 90 o Brasil foi desafiado como já é seu apanágio.
Esse período foi marcado por altos índices de inflação e instabilidade monetária, levando à necessidade de cortes de zeros para tentar controlar a situação e ao surgimento de diversas moedas, como o Cruzeiro, o Cruzado, o Cruzado Novo e o Cruzeiro Real.
Digitalização da economia
Após ter respondido positivamente às adversidades, o Brasil conseguiu dar um passo importante rumo à estabilidade financeira em 1994 e o Real manteve-se como moeda oficial. O mundo começou, no início dos anos 2000, a revolucionar-se numa verdadeira revolução tecnológica nunca antes vista dando origem às primeiras transações eletrónicas e o Brasil não ficou para trás.
As famosas empresas “Fintechs” começam a permitir aos utilizadores que paguem as suas compras digitalmente rapidamente e de forma segura, e isso revolucionou o mercado e a forma como a economia funciona. Todas estas Fintechs estão associadas a uma entidade bancária e o mais revolucionário acabara por acontecer em 2009 com a introdução das criptomoedas, onde a bitcoin se destaca.
O impacto das bitcoins na economia brasileira
Estima-se que mais de 16 milhões de brasileiros já tenha tido algum tipo de contacto com esta nova forma de transferir e investir dinheiro. Ela surgiu em 2009 e só mais recentemente se popularizou entre os 7,8% de brasileiros que já experimentaram de forma totalmente legalmente. Existe o mito que as criptomoedas são ilegais, mas isso não passa de um mito.
Sim, é legal e permitido comercializar criptomoedas e criptoativos (tokens) no Brasil. O marco regulatório, ou “Lei das criptomoedas” (PL 4401/21), aprovado em dezembro de 2022, define diretrizes regulatórias que norteiam a regulamentação infralegal e proteção e defesa do consumidor.
A história do dinheiro no Brasil é uma jornada fascinante, desde os dias do açúcar como moeda até a era das criptomoedas e transações digitais. Essa evolução reflete não apenas mudanças econômicas, mas também transformações tecnológicas que moldaram o panorama financeiro do país. Em um país onde o passado se entrelaça com um futuro digital, o Brasil continua a adaptar-se, aproveitando a inovação para fortalecer seu sistema financeiro e facilitar o comércio globalmente.
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