Reinaldo Roveri, analista da consultoria IDC, afirma que o mercado caminha para uma decisão conjunta em CIOs e executivos de outras áreas. Uma mudança que alavanca a venda de software pela Internet.
Há muito se sabe que as decisões de investimento em TI deixaram de ser exclusividade do CIO – chief information officer, ou executivo de TI. A diferença atual, no entanto, é que o crescimento da economia mundial e a maior competição entre as empresas evidenciam que esses investimentos não podem cessar, ao mesmo tempo que o CIO luta para conter e até mesmo reduzir os custos.
A moral da história, segundo Reinaldo Roveri, analista sênior de mercado da IDC Brasil, é que este novo “comprador” não está atrelado a paradigmas do mercado, como a tradição do provedor de tecnologia e qualidade dos produtos, o que abre espaço para novas ofertas e a possibilidade de players inovadores como o Google participarem desta nova rodada de negócios corporativos.
“Os CIOs estão perdendo o poder de determinar o que é ou não prioridade em TI e sofrerão uma espécie de ‘coopetição’ com provedores externos de TI, no modelo de software como serviço”, revela Roveri. Segundo ele, o crescimento da economia mundial e a pressão dentro das empresas para redução de custos são alavancas para este modelo, porque evidenciam a necessidade de inovação na área de TI para aumentar a competitividade das organizações.
Ao mesmo tempo, o analista aponta que a evolução da infra-estrutura de telecomunicações, com maior velocidade e segurança, facilitam a nova oferta de software como serviço, alternativa que também conquista espaço pela facilidade de alocação de recursos das áreas de negócios.
Para se ter idéia da dimensão desse desvio de decisão de TI, uma pesquisa feita pela própria IDC nos Estados Unidos, mostra que mais de 40% dos CEO (chiefs executive officer ou presidentes de empresas) se envolve nas decisões de TI e mais e em mais de 50% das empresas equipes mistas decidem as prioridades dos investimentos.
Outro fato apontado por Roveri é que os executivos de negócios reconhecem que não dominam a tecnologia ao ponto de escolher produtos ou determinar caminhos nesta área. Mas são desprovidos de preconceitos, apostando na solução de problemas de negócios, sem a preocupação com a experiência do provedor. “Isso faz com que novas ofertas e fornecedores, como o Google, sejam rapidamente incorporados ao portfólio de soluções corporativas”, exemplifica.
Um outro levantamento feito pela consultoria, também nos EUA, com 102 executivos de negócios e 108 profissionais de TI, mostra que as áreas de negócios estão mais dispostas a comprar software pela internet do que a área de TI.

