Oficializada em agosto pelo Decreto nº 12.573/2025, a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) já começa a alterar as regras do jogo para empresas que prestam serviços a órgãos públicos e para fornecedores conectados a sistemas críticos no Brasil. Mais do que uma diretriz, o programa estabelece novos parâmetros obrigatórios de conformidade, com impactos diretos sobre contratações, governança e práticas de segurança digital em toda a cadeia produtiva.
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Um dos pontos centrais é a criação do selo nacional de cibersegurança, que funcionará como um filtro nas licitações públicas e tende a se consolidar como pré-requisito também em contratos privados. Apenas fornecedores certificados poderão se conectar a sistemas estratégicos, como os que sustentam meios de pagamento, energia, telecomunicações e outros serviços essenciais.
Na prática, isso significa que empresas que não demonstrarem maturidade em segurança digital correm risco de ficar fora de concorrências públicas. Para pequenas e médias, a mudança exige investimentos adicionais em processos, auditorias, controles técnicos e cultura organizacional voltada à proteção de dados.
De acordo com André Oliveira, Diretor Operacional da TLD, especializada em cibersegurança e conectividade, o impacto será duplo: “Para o governo, a medida aumenta a resiliência e a velocidade de resposta diante de incidentes. Para o setor privado, especialmente fornecedores, traz a necessidade de se alinhar a padrões mais rígidos de compliance, sob pena de perder competitividade.”
A estratégia foi lançada em meio a um cenário de ataques sofisticados contra fornecedores terceirizados, como o episódio que explorou vulnerabilidades em serviços do Pix após a invasão da Sinqia, que resultou em um desvio de R$ 710 milhões. O E-Ciber busca reduzir pontos frágeis da cadeia de valor digital, tornando obrigatória a adoção de padrões internacionais de segurança.
Mais do que um marco regulatório, a nova política é vista como um divisor de águas para a maturidade cibernética no país. “Com a regulamentação, cibersegurança deixa de ser opcional e passa a ser requisito. O selo traz transparência, fortalece relações digitais e cria condições para que o Brasil se posicione com mais confiança na economia digital global”, reforça Oliveira.

