A crescente demanda por inteligência artificial (IA), computação em nuvem e infraestrutura digital está acelerando os investimentos em data centers na América Latina, impulsionada principalmente pela disponibilidade de energia limpa na região. Com uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, os países da região passaram a ocupar posição estratégica na nova corrida global pela expansão de ambientes digitais voltados à IA.
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O movimento ocorre em paralelo ao avanço da automação no setor energético. Estudo recente da Schneider Electric aponta que o crescimento da IA e dos data centers deverá elevar significativamente a demanda global por eletricidade até 2030, intensificando a necessidade de operações mais eficientes, resilientes e sustentáveis.
Neste cenário, a América Latina surge como uma alternativa atrativa para operadores globais de infraestrutura digital. Segundo a Arcadis, a combinação entre energia renovável, disponibilidade territorial e expansão do mercado digital regional fortalece o posicionamento da região como hub estratégico para novos data centers.
Para Isabel Rando, Head of Technology Sector Latam da Arcadis, a matriz energética limpa se tornou um diferencial competitivo importante para atrair projetos internacionais. Entretanto, ela alerta que o crescimento sustentável da infraestrutura digital dependerá da capacidade de enfrentar desafios relacionados à gestão energética, eficiência térmica, disponibilidade hídrica e adaptação climática.
A preocupação ganhou ainda mais relevância diante do avanço dos eventos climáticos extremos no Brasil e em outros países da região. Segundo especialistas, os novos data centers já estão sendo concebidos com foco em resiliência operacional e adaptação territorial, incorporando soluções como sistemas avançados de drenagem, estruturas de contenção e projetos voltados à mitigação de riscos ambientais.
O planejamento integrado também passou a ser considerado fator crítico para a viabilidade dos empreendimentos. A integração entre disciplinas técnicas, ambientais e regulatórias desde o início dos projetos ajuda a reduzir incompatibilidades, acelerar licenciamentos e minimizar custos adicionais.
Outro ponto destacado pela Arcadis é a necessidade de maior alinhamento entre empresas, autoridades públicas e comunidades locais para garantir previsibilidade e reduzir riscos operacionais e reputacionais.
Na área de sustentabilidade, cresce a adoção de tecnologias voltadas à redução do consumo de água e energia nos ambientes de missão crítica. Entre as soluções em destaque estão sistemas de refrigeração de baixo consumo hídrico e o uso ampliado de fontes renováveis para alimentação dos data centers.
A empresa cita como exemplo o projeto SINES DC, em Portugal, que utiliza energia 100% renovável e água do mar para resfriamento da infraestrutura. Modelos semelhantes começam a ganhar relevância também na América Latina, especialmente diante da pressão global por operações digitais mais sustentáveis.
Combinando energia limpa, potencial de expansão e localização estratégica, a América Latina avança para ocupar papel central na infraestrutura que sustentará a próxima geração da economia digital baseada em IA. Entretanto, especialistas alertam que consolidar essa posição exigirá investimentos consistentes em resiliência climática, eficiência operacional e planejamento de longo prazo.
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