Com uma adoção acelerada da inteligência artificial generativa, o setor bancário brasileiro se aproxima de um novo ponto de inflexão: ganhos em eficiência e inovação caminham lado a lado com desafios ambientais, pressões ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) e transformações profundas no mercado de trabalho. Este é o cenário em que ocorre o Febraban Tech 2025, de 10 a 12 de junho, em São Paulo.
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Cerca de 80% das instituições financeiras já incorporam IA em suas operações, segundo pesquisa da Febraban. Ao combinar atendimento, análise de crédito e automação, essas tecnologias prometem ganhos significativos de eficiência e personalização .
No entanto, esses avanços têm um custo energético elevado. Grandes modelos de linguagem exigem data centers robustos, intensivos em consumo de energia e água – uma preocupação crescente para os padrões ESG. Organizações como Capgemini e IBM recomendam monitoramento rigoroso de emissões e migração para infraestruturas mais sustentáveis.
ESG em xeque
O uso massivo de IA dentro dos bancos contribui para o crescimento da pegada ambiental do setor financeiro, que já é alvo de metas de neutralidade de carbono. Apesar da adoção de práticas ambientais, pouco se sabe ainda sobre o nível de rastreamento de consumo de energia e água nos modelos de IA usados pelos bancos — evidenciando fragilidades nas estratégias ESG.
Emprego e transformação
O impacto da IA generativa no emprego bancário é palpável:
- Em 2024, foram eliminadas 6.198 vagas no setor bancário, enquanto o mercado de trabalho formal brasileiro criou aproximadamente 1,69 milhão de vagas bancarios-es.org.br+9bancariosnit.org.br+9bancariospa.org.br+9.
- Em comparação com 2019, quando o setor bancário contava com cerca de 455 mil bancários, o quadro diminuiu para aproximadamente 449 mil em 2024, segundo dados do Dieese e Novo Caged — uma redução líquida de cerca de 6 mil postos em cinco anos cut.org.br+4bancariosnit.org.br+4bancarios-es.org.br+4.
Essa transição revela que, embora bancos substituam funções administrativas por papéis tecnológicos – como desenvolvedores e analistas de automação -, a geração de novos postos ainda não compensa as perdas nas vagas tradicionais.
Um balanço necessário
A adoção da IA genérica traz, sim, ganhos: maior eficiência, produtos financeiros mais customizados e potencial para inclusão digital. Mas impõe aos bancos responsabilidade social e Ambiental:
- Monitorar e reduzir o consumo energético dos algoritmos,
- Adotar fontes renováveis para alimentar data centers,
- Implementar políticas de reconversão de carreira, garantindo requalificação para trabalhadores impactados.
Somente com esse equilíbrio será possível conciliar inovação tecnológica, sustentabilidade e justiça social, valores cada vez mais valorizados pelo mercado e exigidos pela agenda ESG.
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