Segurança

Fraudes digitais e identidades frágeis atraem atenção da britânica iProov para AL

A britânica iProov, especializada em autenticação biométrica facial, está voltando suas atenções para a América Latina. A região, marcada por altos índices de fraudes digitais e estruturas frágeis de identidade, representa terreno fértil para a tecnologia da empresa, que já presta serviços a governos como os do Reino Unido, Estados Unidos e Cingapura.

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A empresa fornece tecnologias de autenticação baseadas em biometria facial – ou seja, reconhecimento do rosto como forma de garantir que uma pessoa é quem diz ser. Mas seu diferencial, segundo Daniel Molina, vice-presidente da iProov para América Latina, está na capacidade de garantir que aquele rosto está sendo apresentado por uma pessoa viva, em tempo real, e não por uma foto, vídeo ou modelo 3D.

Essa prova de vida é feita com o uso de luzes que iluminam o rosto do usuário e sensores que analisam como a luz interage com a pele – uma tecnologia patenteada chamada de “Flashmark”. “É como se colocássemos uma marca de tempo dinâmica na imagem do rosto”, explica Molina.

Segundo o executivo, o problema das fraudes de identidade tem crescido de forma preocupante. Ele cita casos em que organizações criminosas usam vídeos de pessoas reais, ou mesmo deepfakes, para se passarem por elas em cadastros digitais. “O risco é enorme: alguém pode se registrar como você, tomar um empréstimo e sumir. E quando você tenta fazer o mesmo, já é tarde. Você foi sequestrado digitalmente.”

Molina reconhece que há muitas soluções no mercado que prometem reconhecimento facial, mas diz que a maioria falha ao não garantir que a interação está sendo feita por uma pessoa viva, naquele momento. “A biometria sem verificação de vida pode ser perigosa”, alerta.

Hoje, a iProov fornece sua tecnologia tanto para governos quanto para o setor privado – bancos, operadoras de telefonia e empresas de tecnologia. Entre os contratos públicos, estão a autenticação de usuários do sistema de saúde britânico (NHS) e da agência americana CBP, responsável pela segurança de fronteiras.

A companhia também trabalha com grandes empresas de tecnologia, como Google e Microsoft, em iniciativas voltadas à autenticação segura de usuários durante buscas e acessos a serviços online. “Essas empresas estão se movendo na direção de uma internet mais confiável, com identidades verificadas. E nós somos parte desse movimento”, afirma Molina.

Na América Latina, o movimento ainda é inicial. A empresa tem um escritório no México e um time baseado na Colômbia, além de manter conversas com potenciais parceiros no Brasil. “Sabemos que a região tem desafios específicos, como estruturas de identidade nacional que nem sempre são robustas. Mas é justamente por isso que vemos oportunidade de atuar.”

Para Molina, a tecnologia da iProov pode funcionar como uma camada de confiança onde as instituições ainda falham em garantir a veracidade da identidade dos usuários. “Não estamos aqui para substituir os governos, mas para dar a eles e ao setor privado uma forma de verificar, de maneira confiável, quem está do outro lado da tela.”

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