Segurança

Hackers ameaçam governo com argumento “nacionalista”

Dados internos da Brigada Militar são copiados.

A Brigada Militar do Rio Grande do Sul teve seu site invadido por hackers na tarde de sábado (25). Segundo o coronel Leonel Andrade, diretor da Divisão de gerência de redes do Departamento de Informática da Brigada, a invasão ocorreu através do banco de notícias da polícia disponível na página na internet.

O grupo de hackers teve acesso a informações de caráter sigiloso da Brigada Militar, como planilhas de análise criminal e indicadores de prisões, que foram vazados, segundo o coronel. Os nomes das tabelas, que não estão disponíveis para o público, foram repassados pelos hackers a um jornal gaúcho, que acionou a Brigada Militar.

“Assim que percebemos a invasão tiramos o site do ar para analisar nosso banco de dados. Nada foi corrompido. Mesmo que tivessem tirado do ar, poderíamos colocá-lo novamente íntegro. Não houve dano nenhum ao material”, afirma o oficial.

“Eles (os hackers) entraram pelo nosso sistema de notícias, mas não fizeram pichação nem deixaram marca nenhuma na página. Mas se quisessem, poderiam ter feito, alterado tabelas e dados. Mas revisamos tudo e nada foi modificado”, acrescenta ele.

Após a invasão, a segurança da página da Brigada Militar na internet foi reforçada.O coronel diz que não pode informar sobre o andamento das investigações, pois a Polícia Federal está analisando o caso juntamente com os outros portais do governo invadidos durante a semana, como os sites da Presidência da República, Senado, Infraero, do Governo do Brasil, Petrobrás, Receita Federal e PF.

A Brigada Militar pretende colocar no ar nesta segunda-feira (27) um novo site, com capacidade maior de proteção contra invasores.“Logo pela manhã, o comandante-geral da Brigada irá revisar e pretendemos colocar no ar logo em seguida”, diz o coronel Leonel.

Histórico de invasões

Depois de tirar do ar os sites da Presidência da República, do Portal Brasil, Petrobras e da Receita Federal, hackers voltaram a atacar páginas do governo. Entre a última quinta (23) e a sexta (24), foram invadidos os endereços do Senado, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos Ministérios da Cultura e Esporte.

Ficou ainda mais escancarada a fragilidade do sistema e a despreocupação do governo com a situação, pois no meio da tarde de sexta  (24) o portal da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) também saiu do ar.

O site do IBGE foi invadido na madrugada do mesmo dia. Logo na página de entrada do site aparecem os seguintes dizeres: “IBGE Hackeado – Fail Shell. FIREH4CK3R”. Havia um aviso informando que neste mês o Brasil sofrerá o “maior número de ataques de natureza virtual” de sua história. O aviso deixado pelos invasores diz que: “Este mês, o governo vivenciará o maior número de ataques de natureza virtual na sua história feito pelo fail shell. Entendam tais ataques como forma de protesto de um grupo nacionalista que deseja fazer do Brasil um país melhor. Tenha orgulho de ser brasileiro, ame o seu país, só assim poderemos crescer e evoluir. Atacado por Fireh4ck3r. Brasil, um país de todos! Não há espaço para grupos sem qualquer ideologia como LulzSec ou Anonymous no Brasil”.

Por meio de nota, o IBGE informa que retirou o seu site do ar para manutenção e reforço da segurança, mas garantiu que o “banco de dados de todas as pesquisas está preservado já que não foi atingido pela ação de hackers”. De acordo com a assessoria de imprensa da Infraero, o site foi tirado do ar propositalmente para reforço na segurança, para evitar possíveis ataques de hackers. O site contém informações de voos em todos os aeroportos do país.

As páginas da Presidência da República, do Portal Brasil, Petrobras e do Ministério da Justiça também apresentavam instabilidade no início da tarde de sexta-feira. O site do Ministério da Cultura também foi alvo de um ataque virtual naquela manhã, de acordo com a assessoria de imprensa da pasta. A página ficou instável por um curto período e técnicos do ministério identificaram uma sobrecarga de acesso originário de apenas um IP.

A assessoria diz ser possível que a sobrecarga, incomum para o horário, seria uma tentativa de retirar o site do ar, mas que, após detectado, o ataque foi neutralizado e a página voltou ao normal.

Na tarde de quinta-feira, os portais da Presidência da República, do Senado, do Ministério do Esporte também foram atacados e não carregavam e apresentavam mensagens de erro.

Na última quarta-feira (22), o grupo de hackers LulzSecBrazil foi responsabilizado por ataques que deixaram fora do ar os sites da Presidência, da Receita Federal e da Petrobras. O LulzSecBrazil é o braço brasileiro do grupo internacional Lulz Security, que recentemente promoveu ataques cibernéticos a servidores da CIA (agência de inteligência americana), do FBI (polícia federal americana), do serviço público de saúde britânico, o NHS, da empresa Sony e das TVs Fox e PBS.

Investigação

De acordo com a ‘Agência Brasil’, a Polícia Federal iniciou nesta quarta a investigação sobre os ataques a sites do governo federal – que acontecem desde a madrugada da última quarta. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, não serão divulgados detalhes do processo para não prejudicar as investigações.

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