O Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026, produzido pela IDC e apresentado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), também traçou previsões para o cenário nacional de tecnologia. Confira.
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Forte demanda por data centers continua
Entre as 20 categorias de serviços associados de TI que a IDC mede, o mercado de data center é o que registra o maior crescimento para o ano de 2026. Isso porque, até 2030, a IDC prevê que 60% das organizações latino-americanas estarão usando ambientes híbridos como infraestrutura para permitir a otimização dos ambientes de IA em termos de performance, custo, disponibilidade e segurança. No Brasil, o mercado de HIS (Hosting & Infrastructure Services) deve atingir em 2026 o valor de US$ 1,7 bilhão, o que representa crescimento de 18,1% sobre o ano anterior.
Nuvem segue crescendo e ganha impulso da IA
A nuvem já se consolidou como elemento fundamental para a estratégia digital das empresas no Brasil e agora, mais do que nunca, inteligência artificial (IA). Pesquisa da IDC mostra que Cloud é o modelo de infraestrutura preferencial pensando no consumo de IA generativa e agentes de IA – ponto destacado por 69% dos líderes de TI e CIOs brasileiros. A busca por ambientes escaláveis e capazes de suportar operações complexas faz com que empresas priorizem provedores que ofereçam alto desempenho, modelos sob demanda e arquiteturas prontas para IA.
Agentes de IA são a próxima evolução do software
Para os provedores de serviços, o desafio está em diferenciar a sua oferta de integração de agentes de IA. Isso porque uma pesquisa global da IDC aponta que as empresas que já estão investindo em IA devem direcionar até um terço de seus orçamentos de IA deste ano para explorar e implementar agentes inteligentes. Junto a isso, as áreas de negócio e de TI deverão estar em sintonia para definir controles e recursos de observabilidade necessários para assegurar a segurança e confiabilidade dos agentes de IA.
IA virou pauta de segurança
A IA está remodelando rapidamente o cenário de segurança cibernética no Brasil. Como os cibercriminosos a usam para automatizar ataques, as empresas também precisam usá-las para fortalecer a capacidade de resposta, ainda mais em um cenário com falta de especialistas em cibersegurança. Para as empresas, os serviços de segurança tornam-se indispensáveis para sustentar o crescimento dos negócios, ponto destacado por 68% dos entrevistados em pesquisa recente da IDC.
IA deve ser central na infraestrutura das comunicações
A IA deve sustentar a transição de arquiteturas de rede estáticas para modelos dinâmicos baseados em políticas que garantam a otimizam automática dos serviços. Assim, será possível viabilizar tráfego e serviços em ambientes cada vez mais complexos e multivendor. Ao integrar IA aos fluxos operacionais, as telcos migrarão de uma gestão manual e reativa para um modelo onde objetivos de negócio são traduzidos em comportamentos de rede acionáveis sem intervenção humana.
Simultaneamente, diante do crescimento exponencial do volume e da complexidade dos dados, a IA se tornará essencial para extrair insights acionáveis, aplicar políticas e assegurar conformidade em escala, consolidando-se como pilar central da governança e da tomada de decisão nas redes de telecomunicações. Também servirá como camada para criação e customização de serviços digitais diferenciados, apoiando novos modelos de negócios e parcerias de ecossistema que exigem conectividade programável e inteligente.
A IDC prevê que os gastos com IA em telecomunicações superem US$ 617 milhões na América Latina em 2026, sendo o Brasil responsável por praticamente a metade. É um mercado que cresce 37,2% ao ano no período de 2024 a 2029 (CAGR).
ISPs se tornam mais maduros
A racionalização dos investimentos em capex vai fazer os provedores de serviços de internet (ISPs) amadurecerem e buscarem diminuir infraestruturas sobrepostas, consolidando de vez o mercado. Os investidores em infraestrutura e operadoras de fibra vão priorizar projetos escaláveis e de maior retorno, elevando a eficiência do setor. O capex intensivo, as exigências regulatórias e a crescente
complexidade operacional impulsionarão uma consolidação seletiva entre ISPs, que passarão a focar em diferenciação de serviços, ampliação do portfólio B2B, melhoria da qualidade e parcerias estratégicas, em vez de competir exclusivamente por preço ou cobertura.
A penetração de FTTH no Brasil, deverá superar 85% dos domicílios até 2027, impulsionada por investimento contínuo, modelos wholesale e parcerias para compartilhamento de infraestrutura.
Conectividade via satélite LEO será integrada nativamente às redes de comunicações
A integração de satélites de baixa órbita (LEO) permitirá que as operadoras ofereçam cobertura ubíqua, incluindo regiões remotas e pouco atendidas, como um recurso nativo do portfólio de serviços, e não apenas como solução externa ou complementar. Arquiteturas híbridas satélite-terrestre ampliarão a conectividade em áreas remotas e de difícil acesso, como regiões rurais do agronegócio, a Amazônia, áreas de mineração e do setor de energia, ao mesmo tempo em que integram satélites como backhaul e para redes privadas LTE/5G e projetos corporativos, viabilizando a expansão de serviços críticos e a conectividade empresarial.
A IDC prevê que os gastos do mercado brasileiro de satélites LEO apresentará crescimento de dois dígitos na base de clientes e deverá expandir-se em mais de 65% até o final de 2026, superando a marca de 1 milhões de acessos contínuos. Na América Latina, 57% das empresas devem adotar o LEO como parte de suas estratégias de conectividade até 2029, combinando satélite e redes terrestres para ampliar resiliência, cobertura e continuidade operacional.
Redes 2G caminham para desativação e abrem oportunidades para outras opções de conectividade
A desativação gradual das redes 2G liberará espectro para 4G e 5G, mas também provocará interrupções temporárias em dispositivos legados, exigindo programas estruturados de migração. Nesse contexto, tecnologias LP-WAN (NB-IoT, LTE-M) e o 5G RedCap emergem como caminhos naturais de atualização, ganhando protagonismo na substituição do 2G em casos de uso de M2M e
IoT.
A integração de APIs e ampliação das plataformas de gerenciamento de conectividade permitirá a orquestração dessas redes, simplificando operações e reduzindo custos. A IDC acredita que isso impulsionará a reinvenção dos modelos de negócio, exigindo gestão de riscos e inovação orientada por dados, especialmente em Utilities, logística e saúde.
No Brasil, conexões M2M e LP-WAN devem ultrapassar 65 milhões até 2026, impulsionadas por NB-IoT e LTE-M, enquanto o 5G RedCap acelerará a migração do IoT para 5G a partir de 2026.
Evolução do segmento de dispositivos com IA
A adoção global de dispositivos com IA ganhou força no último ano e tende a se acelerar no Brasil, não como uma nova categoria, mas como a evolução incremental dos dispositivos já utilizados no dia a dia. Para a IDC, a ampliação da oferta de dispositivos com IA embarcada gera ganhos mais claros no ambiente corporativo, especialmente em segurança e produtividade, criando um ponto de inflexão no ciclo de renovação. Cerca de 75% das vendas de dispositivos em 2026 contarão com capacidades de IA embarcada, crescendo 15% enquanto dispositivos sem IA devem recuar 33%.
IA gera escassez de memórias e impacta venda de dispositivos
A aceleração global dos investimentos em IA levou fabricantes de memória a priorizarem linhas corporativas e de maior margem, redirecionando capacidade produtiva e reduzindo a disponibilidade de componentes para dispositivos voltados ao mercado de massa. Essa decisão afeta de forma mais intensa mercados emergentes como o Brasil, cuja demanda historicamente se concentra em produtos de entrada e mostra maior sensibilidade a preço.
Com isso, a IDC espera aumentos imediatos entre 10% e 20%, podendo ultrapassar 50% ao longo do ano. A projeção de US$ 25,3 bilhões em vendas de dispositivos em 2026 pode ser reduzida entre US$ 1,3 bilhão e US$ 2,6 bilhões no ano. Um reequilíbrio gradual da oferta é esperado só a partir do segundo semestre, com normalização mais consistente projetada para 2027.
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