Switches e roteadores agregam novas funções e até dispensam investimentos em ampliação de infra-estrutura. A lista de possibilidades de novos serviços vai desde as ferramentas de segurança (como firewall e anti-vírus embutidos), passando pela telefonia IP, até softwares de compliance para avaliar os indicadores de ITIL e Cobit.
Há cerca de dois ou três anos, os fabricantes de equipamentos de redes passaram a investir em dispositivos de inteligência. A idéia era justamente agregar novas funções, melhorar o gerenciamento e tornar a rede mais inteligente. Segundo executivos do mercado, trata-se de uma área ainda aquecida, por conta principalmente da demanda por parte dos clientes.
"A inteligência de rede é que vem diferenciando os roteadores e switches", avalia o diretor de novos negócios da Cisco Brasil, Rodrigo Uchôa. Com as tecnologias disponíveis, a rede consegue reconhecer as aplicações e os usuários e, a partir daí, diferenciar os pacotes de dados. Os ganhos são consideráveis no que diz respeito a produtividade.
Uchôa cita como exemplo uma empresa do ramo financeiro que triplicou o número de transações por minuto, passando de 1,5 mil para mais de 4,5 mil, otimizando a aplicação responsável pelas operação.
Já o diretor de tecnologia da 3Com, Antônio Mariano, considera que a tendência de investir em inteligência de rede é um passo natural do mercado. "Isso acontece por um motivo muito simples: a rede é um elemento presente em toda a infra-estrutura das empresas", afirma. "Equipamentos como roteadores e switches passaram a ser vistos como uma plataforma para integrar novos serviços", explica o executivo.
De fato, a lista de possibilidades é grande: vai desde as ferramentas de segurança (como firewall e anti-vírus embutidos), passando pela telefonia IP e até softwares de compliance para avaliar os indicadores de ITIL (Information Technology Infrastructure Library) e COBIT (Control Objectives for Information and Related Technology). Isso sem falar das ferramentas de monitoramento, por meio das quais é possível acompanhar os servidores e verificar por quanto tempo eles estiveram indisponíveis em determinado período de tempo, por exemplo. "E tudo isso é feito sem intervenção humana", destaca Mariano.
Outra aplicação possível é a notíficação do responsável pela rede, via mensagem de texto, em caso de problemas com o desempenho de um software.
Economia e eficiência
Além de alinhar a TI aos negócios, a inteligência de rede é importante quando se leva em consideração outros fatores, complementa Uchôa, da Cisco. Em um país de grandes dimensões como o Brasil, é necessário que a rede entenda as aplicações e garanta seu bom funcionamento. Esse caso é particularmente importante para um grande banco ou uma rede de varejo, que chegam a ter milhares de operações espalhadas por diversas cidades.
A infra-estrutura também é fator crítico em função do seu custo, lembra o executivo, e gerenciar tende a trazer mais benefícios do que ampliar. "Duplicar a largura de banda muitas vezes não significada dobrar a capacidade de processamento", ressalta o diretor. A própria consolidação dos data centers, que freqüentemente são terceirizados, obriga as empresas a investir no gerenciamento de rede. No caso da Cisco, a receita com soluções envolvendo inteligência foi 60% superior no ano fiscal de 2008, que termina em agosto, quando comparado a 2007.
A D-Link, por sua vez, aposta em segurança na borda da rede. A companhia investiu US$ 800 mil (cerca de R$ 1,28 milhão) na operação brasileira e espera obter 30% do mercado em um prazo de dois anos. "Com mais controle, é possível ter uma plataforma que trabalhe de forma pró-ativa", resume o gerente de produtos da empresa, Adriano Luz.
Segundo ele, a gestão da rede deve considerar cinco etapas principais: autenticação do usuário, autorização, controle de acesso, controle de tráfego e qualidade de serviço. Elas apóiam, inclusive, a criação da chamada Policy Management, que, segundo Uchôa, é a grande tendência não só para as redes corporativas, mas também para os provedores de acesso à Internet.
Mariano, da 3Com conta que, juntamente com as operadoras de telecom, os governos compoõem dois segmentos muito receptivos a soluções envolvendo inteligência de rede. "Deve-se pensar não só nos recursos disponíveis nos roteadores e switches, mas também em incluir outros módulos nesses equipamentos e, assim, adicionar novas funcionalidades", afirma.

