Companhia anunciou investimentos de US$ 12 bilhões no Brasil e a fabricação de iPads no País.
O anúncio na semana passada, de investimentos de US$ 12 bilhões no Brasil para a construção de uma fábrica de displays digitais utilizados em tablets, celulares, TVs e laptops, pela taiwanesa Foxconn, continua repercutindo. Para Jorge Ramos, presidente da ISA Distrito 4, coligada à ISA – International Society of Automation, a notícia dos planos da Foxconn para o Brasil, embora auspiciosa, deve ser analisada com maior profundidade, observando todos os aspectos relacionados ao montante do investimento, à demanda por mão de obra e as suas enormes conseqüências mercadológicas.
“Causou-nos espanto o valor do investimento anunciado pelos chineses exclusivamente para a fabricação de tablets no Brasil, e a necessidade de 35 mil profissionais, entre engenheiros e técnicos, para a respectiva operação. Para se ter ideia, uma refinaria de petróleo, com toda a sua complexidade, consome recursos de US$ 8 bilhões a 10 bilhões e, no máximo, um contingente de seis mil engenheiros e técnicos. O que nos preocupa é que por trás deste anúncio pode haver uma estratégia para colocar, sob o mesmo guarda-chuva, outras linhas de montagem de produtos eletrônicos e de automação, subsidiados pelo Governo chinês . Ao invés de benefícios ao Brasil, isto traria danos gravíssimos à nossa indústria e ao mercado de trabalho”, explica Ramos.
A Foxconn é uma das maiores fabricantes de componentes eletrônicos do mundo, está presente em 14 países e conta com três fábricas no Brasil, localizadas em Manaus, no estado do Amazonas, e duas no interior de São Paulo. No país, as atividades da empresa começaram em 2005, com a fabricação de celulares e mais tarde, máquinas fotográficas digitais. Com o investimento anunciado, a companhia também deverá, a partir de novembro, fabricar iPads no território brasileiro.

